O que te inspira a ser um profissional melhor?

 Para além do profissional interessa à Psicologia o sujeito, fruto da construção de suas experiências, na relação com o outro, num processo ativo de interação social. Aquilo que é vivido no aqui e agora do trabalho nunca é neutro afetivamente, porque sempre marca o encontro de uma história singular e a situação presente. Uma recepcionista, por exemplo, terá em cada atendimento, emoções diferentes a partir do momento vivido, fazendo novas experiências e afetando a forma como ela agirá nas novas relações, e esse processo é sim inconsciente. E quando trazemos a relação desse sujeito com o trabalho: InspirAÇÃO, a que reflexões esse termo remete?

O Real do Trabalho (diferente da realidade vivida e, por isso, inconsciente), conceito lacaniano, se trata do não dito, e por isso não é medida, não se tem quantidade. E como dar conta? Buscando formas de dar vazão a esse não dito, considerando a experiência de cada um (sujeito), num contexto coletivo de construção, compreensão e aceitação. Falar do SER e do NÃO SER é possível no trabalho? Ou apenas do que PODE e DEVE ser feito? Do cruel “deixe seus problemas em casa, aqui você é pago para trabalhar” ao valor estampado na parede da empresa “Valores organizacionais: Respeito”: quanta incoerência!

Na Psicologia, temos como princípio em nossa ação, emancipar o sujeito, ir além da reflexão ao nível do pensamento, cognição, e encaminhá-la com o trabalhador a ação: o que é possível fazer a nível individual e coletivo no seu contexto de trabalho? Inspirar, nesta perspectiva, assume a forma como sujeito processa sua experiência humana, em outras palavras, eu inspiro pela linguagem (simbólico) manifestada na ação. Não em vão, temos no trabalho a tendência de sermos inspirados por pessoas que assumem poder, por sucesso, por dinheiro, por aquilo que cada um julga importante em sua experiência singular, mas que faz sentido numa vivência social.

Mudarmos a percepção negativa do trabalho e após a mudança, manter-se na visão positiva é um outro ponto que gostaria de tocar. O que te mantém do lado da mudança? O que te permitiu largar antigos comportamentos e assumir novos caminhos? Foi apenas a inspiração do outro? Buscar esse nexo causal é crucial para se ter um processo concreto de transformação pessoal e profissional. Permitir-se embarcar no nível de análise interna e mobilizar crenças, histórias, registros afetivos vai além do que a inspiração pode nos levar. Deixe- se inspirar, mas jamais esqueça que só você pode transformar de fato quem é, por sua própria ação no mundo.


Luciana Tudeia e Lidiane dos Anjos

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