Sabia que arquitetura também pode ajudar na prevenção do suicídio?

Essa é uma história real e recente!

Rafaela chegou ao escritório de maneira hostil, o que só reforçava o seu pedido seguinte: “Quero tua ajuda!”. Acreditava que a arquitetura poderia ter a solução para seus problemas!

Contou que é médica, solteira, com bom salário, mora sozinha em apartamento próprio (com sua gata – “minha única amiga” descreveu). Explicou que se sentia muito sozinha, não sabia o que vinha acontecendo com ela, especialmente nesse momento de pandemia. A seguir disse: “Recentemente tentei suicídio (na verdade, foi apenas uma ideação). Me jogaria da sacada de meu apartamento que fica no 8 º andar.” 

Uma pessoa que pensa em suicídio, não quer acabar com a vida, quer acabar com tamanho sofrimento que a comete. Ao perceber-se imaginando suicídio na sua própria casa (mesmo em uso de medicação e fazendo psicoterapia), concluiu que precisava de ajuda de mais um profissional, uma arquiteta, pois estar em casa tornou-se seu maior medo: “Na verdade, uma das intervenções é com a sacada. Temo ficar perto dela, temo minha reação. Por isso estou te enviando essa mensagem”. Rafa entendeu que a casa não era mais um ambiente seguro e acolhedor, como costumamos imaginar. Ao perceber que o ambiente fortalecia o seu adoecimento, ela pediu ajuda! Ela teve medo de conseguir fazer, o que na verdade não queria. Felizmente, foi acolhida, como precisava ser.

A minha profissão não poderia sozinha solucionar todos os problemas da Rafa. Mas salvou sua vida, ao tornar seu ambiente um lugar seguro para ela, compreendendo seu contexto, suas necessidades, medos e desejos. Através de uma escuta ativa, da empatia e do conhecimento técnico. O fazer profissional humanizado, ressignificou aquele espaço, para que Rafa se aproprie dele, tornando-o inclusive um lugar de relaxamento e tranquilidade.

Te convido a refletir sobre quantas pessoas adoecidas estão ao nosso redor? Com qual lente nós olhamos casos como este? Como o seu fazer profissional pode ajudar? Como nós enquanto pessoas, seres humanos tão vulneráveis, podemos ajudar uns aos outros?

Setembro é amarelo para nos lembrar de ajudar, e também de pedir ajuda.


Peça ajuda, sem medo e sem culpa!


Afetivamente,

Allyne Amaral



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