Meu filho virou um adolescente, e agora?

Existe uma consciência coletiva equivocada sobre a adolescência e que vem sendo passada de geração em geração. Ensinamentos que diminuem a adolescência a uma fase complicada, de rebeldias, dores de cabeça e ingratidão. Mas o que, de verdade, pode ser entendido sobre a adolescência e a relação que se estabelece entre pais e filhos nessa fase?



O fato é: quando os filhos chegam à adolescência os pais automaticamente entram em uma fase de incompetência e vulnerabilidade, na qual o que foi construído/mantido no ciclo anterior precisa, agora, ser repensado. É nesse contexto que surgem os conflitos, os afastamentos e a construção de rancores.

É papel dos pais, entretanto, como indivíduos mais maduros e experimentados, assumir a tarefa de distinguir em seus filhos o que são comportamentos e o que são emoções. É muito importante focar nas atitudes especificas dos adolescentes, sempre evitando rotulá-los como preguiçosos, apáticos ou ausentes. Não é tarefa fácil.

A fórmula para o equilíbrio na relação entre pais e filhos na adolescência está na família e no amor. Família e amor nessa fase são duas palavras complicadas. Estudos demonstram que um pouco mais da metade dos filhos na puberdade não se sentem amados pelos pais, e vice-versa. Isso não quer dizer que o amor não esteja presente (nós sabemos disso!), mas sim que ele não tem sido percebido e sentido.

É preciso que os pais reconheçam que existe uma idealização do filho perfeito, desde a fase da gestação, quando se imagina como ele será em cada fase de vida. A adolescência desconstrói essa imagem idealizada perfeita, fruto de tanto trabalho e investimento de tempo, amor e dinheiro.

É preciso reconhecer também que o relacionamento que temos com os nossos filhos geralmente reflete os relacionamentos que temos com nós mesmos. O adolescente mexe com o que deixamos para trás, com a juventude que ficou, com o que nos tornamos. Ver um filho se tornar adolescente é admitir que estamos envelhecendo, que a vida passa e que é preciso reavaliar nossos próprios caminhos. Por isso, reflita: como anda o seu relacionamento com você mesmo (a)?

Em resumo: são os pais, mais maduros e vividos, que devem liderar seus filhos durante a travessia da adolescência. Ouvir mais, praticar a empatia, não rotular e distinguir emoções de comportamento são as chaves para uma convivência mais tranquila durante a fase que será uma das mais turbulentas – e necessárias – na vida do seu filho.

Com carinho,
Isadora Lacerda.

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