10 de abril de 2019

Perdão: o que isso tem a ver com sua saúde mental?

A falta de perdão gera ansiedade, depressão, estresse e inúmeras doenças psicossomáticas. Eu considero o ato de perdoar extremamente importante para a construção de uma autoestima saudável e para o bem-estar psíquico. Primeiro porque se você não perdoa o outro, você carrega um lixo emocional totalmente tóxico para o seu bem-estar físico e mental. Segundo porque sem o auto perdão é impossível ter uma relação de amor e respeito por si mesmo. O rancor, a mágoa e a culpa faz com que você caminhe pela vida com a mochila pesada de coisas que não favorecem em nada a sua felicidade e a sua saúde física e mental.



É preciso entender alguns mitos que podem te impedir de soltar essa história de dor e sofrimento. O perdão não envolve esquecer e manter a relação com a pessoa que te feriu, mas, viver em paz sem se deixar ser atormentado com aquilo que aconteceu, com o evento desagradável. Você pode não esquecer do trauma, mas ao lembrar, não sente a sensação negativa de antes, passando a aceitar que aquela situação fez parte da sua história e está no seu passado. Para exercer o perdão, é importante parar de contar as histórias tristes de como você foi vítima de alguém, como sua dor é grande. Assim a ferida não vai cicatrizar! E para sair desse ciclo de rancor e perdoar genuinamente, é necessário exercer a empatia, perceber que a pessoa que ofendeu também tem sofrimento e talvez não tenha cometido aquele ato com a intenção de te magoar. Se você conseguir tirar o peso de achar que foi uma situação pessoal contra você e perceber que aquilo tem a ver com o momento e dores dela, acredito que muda seu olhar para essa história. Ao lembrar que você também erra com outras pessoas, pode conseguir ver a humanidade de quem te feriu (e também da sua quando comete erros) e exercer a compaixão. Ela não é perfeita, assim como também você não é e está tudo bem em se permitir ser humano.

Outro passo importante é sair da vitimização. Se manter nessa posição, mantém também a raiva, ódio,  ostilidade, tristeza, dor, vingança. Sair do papel de vítima, devolve a você o seu poder! O poder pessoal de decidir o que fazer com o que fizeram com você ou decidir o que fazer a partir do erro cometido. Você não vai ter saúde mental se continuar preso as dores e aos erros do passado. Observe os aprendizados em cada situação. Quem você se tornou após ter vivido essa situação de dor/erro? Qual o presente que essa situação traz para você que você não consegue enxergar?

Perdoar é um processo, uma construção, além de ser uma ação muito corajosa. O perdão é para seu próprio benefício, não depende do reconhecimento do outro em relação ao erro para ser liberado. O autoperdão, é uma atitude de muito respeito com você, já que é o único que conhece os seus motivos para ter cometido aquele erro. Naquele momento, o que você fez era a única coisa que poderia fazer com a consciência que você tinha. Compreende seu erro, retira o aprendizado dessa história e segue. Com treino e técnicas simples, você vai exercendo o perdão aos poucos, no seu tempo. Uma dica da Psicologia é escrever uma cartão de perdão. Escolha uma pessoa que você precisa perdoar e escreva a situação, o que a pessoa fez com você. Nesse momento, pode ser que você sinta as emoções desconfortáveis que a situação desperta. Permita sentir. Escreva o que você gostaria que a pessoa fizesse com você. Escreva também tudo que você quer falar para essa pessoa. Escreva você perdoando. Ao final, você pode rasgar ou queimar a carta, não precisa enviar para ninguém. Libere o perdão. Faça isso por você, pelo seu bem-estar! Decida e escolha ser feliz!

“Falhou tá falhado e não se falha mais nisso”

Com amor, Emanuela.

3 de abril de 2019

Fazer parte e Ser inteiro: sobre como pertencemos à nossa família

No estudo da Terapia Familiar, “pertencer” pode ser visto como um sentimento, não somente como algo que é reconhecido através de laços de sangue, parcerias ou matrimônios. Sentimento esse que parte do nosso íntimo e se desenvolve nos relacionamentos. Indo um pouco mais a fundo, pode-se refletir acerca de como o pertencimento nos faz sentir sobre quem somos, ou ainda, sobre quem gostaríamos de ser. Será que uma coisa pode atrapalhar a outra? 




Talvez a resposta esteja na compreensão das crenças que aprendemos e co-criamos em nossas famílias. Já que, muitas vezes, nossas crenças familiares podem estar em conflito com sonhos e perspectivas individuais.
O que acontece quando queremos seguir um caminho diferente daquele que nos foi apresentado no seio familiar? Ou ainda, quando o tal “caminho diferente” é visto como uma afronta? Teríamos então de decidir entre “fazer parte” e “ser inteiro”? 
Dentre muitas das crenças que aprendemos, podemos ter ouvido - ou simplesmente aprendido - que a independência acontece com o rompimento, com o não precisar do outro, seja financeiramente ou mesmo emocionalmente. Porém, essa lógica nem sempre está em harmonia com o que sentimos. Podemos nos descobrir tristes e magoados com situações do tipo, e, insistir em racionalizar o que estamos sentindo, dificilmente nos trará as soluções que buscamos.
Muitas vezes em consultório escuto a frase “quero deixar de sentir isso”. Uma guerra interna travada entre o que acreditamos que devemos fazer e o que acabamos fazendo.
Terapeuticamente, podemos começar a visitar a ideia de que “fazer parte” não é o mesmo de “ser dependente”. Saber cuidar de si quando necessário e ser capaz de tomar decisões de vida minimamente saudáveis não exclui nossa necessidade de conexão com o outro. 
Vale refletir ainda sobre como, muitas vezes, ao supostamente rompermos com a família (ou outros relacionamentos importantes) acabamos por buscar (ou simplesmente encontrar) outras pessoas com as quais nos relacionamos de forma dependente, seja emocionalmente ou, algumas vezes, até mesmo financeiramente. Alguém do lado de fora de um sistema familiar que rejeita o que você está apresentando como seu, como individual. Alguém que finalmente te aceite e vá suprir necessidades básicas que ficaram não atendidas. 
Dessa forma, podemos pensar em diferentes fases das nossas vidas e em como nos desenvolvemos de forma individual e relacional através delas. Por exemplo, enquanto crianças nossa prioridade na família sempre será de se conectar e se manter seguramente dependente dos que podem nos nutrir e cuidar; Já enquanto adolescentes, nossa tendência é de buscar autonomia e individualidade, o que muitas vezes pode trazer conflitos com as expectativas do sistema familiar. Mas, e enquanto adultos? Estaríamos “presos” em alguma dessas dinâmicas? 
Sentir-se parte pode também fazer parte de ser por inteiro, e mais ainda, de sentir-se verdadeiramente dono de si. Pois assim, adentramos o mundo das relações, e dos tantos papéis que temos que cumprir, mostrando nossa cara, nossos sentimentos e aspirações. Buscando formas de se ser que respeitem o outro e nos permitem exercitar a conexão e a empatia. 
Se tornar adulto nos exije certa dose de reflexão e autoconhecimento, para  que possamos - finalmente - tomar consciência de atitudes, sentimentos e relações que são nocivas ao nosso crescimento e florescimento pessoal.
Crescer e “ir pro mundo” é levar consigo aprendizados, sentimentos, crenças, expectativas e perspectivas que desenvolvemos ao longo das nossas vidas através dos relacionamentos mais significativos. Tomar consciência de como nossa família funciona é também uma forma de autoconhecimento, possibilitando assim maneiras de transformar-se individualmente, entendendo a ligação entre a sua individualidade e o mundo que fazemos parte.

Com amor,
Renata.