30 de abril de 2019

Como praticar o amor próprio?


Praticar o amor próprio sem cair no egoísmo ou no narcisismo implica alcançar um equilíbrio entre um trabalho interno no qual podemos apreciar nossa essência e alcançar harmonia com o ambiente, o que não é fácil.

O autoamor vai além da autoestima. Hoje, a autoestima, por exemplo, é um tema recorrente quando falamos de conflitos emocionais ou dificuldades em se relacionar com os outros: tudo parece indicar que devemos nos estimar melhor. Mas isso não é suficiente, pois, além de reconhecer nosso valor pessoal, devemos exercitar o amor próprio, ou seja, o autocuidado.

Há uma máxima que diz: "você ama o que conhece". Portanto, o primeiro passo para o amor próprio é o autoconhecimento. Um início complicado, porque a vida diária da maioria de nós é cheia de informações, mensagens constantes que vêm de fora e podem nos ofuscar, nos fazem perder a noção de quem somos.


O autoconhecimento é a capacidade que nos permite explorar o nosso ser, é a introspecção e a capacidade de nos reconhecermos como indivíduos. Isso nos permite reconhecer o que nos caracteriza e também o que nos vulnerabiliza.

Esse é o resultado de um processo analítico que envolve a maturidade de conhecer nossos aspectos positivos e negativos, mas também envolve reconhecer os mecanismos  de defesa nos quais nossas emoções funcionam e por quê nos utilizamos deles. Um fator que muitas vezes omitimos ao tentar nos conhecer. O autoconhecimento é o passo prévio e fundamental para alcançar a autoestima, o autorespeito e o autocontrole.

A principal consequência positiva do autoconhecimento é a autoestima. Esta é a fé que cada um tem em si mesmo, o valor concedido pelo fato de ser quem somos. É a percepção positiva do próprio valor, habilidades e conquistas, a melhor visão que temos de nós mesmos.

Embora existam situações que reduzem esse valor positivo, mesmo levando a uma visão completamente negativa de si mesmo, que é um fator de relevância na busca do amor próprio ou do autocuidado. Uma autoestima negativa nos torna vulneráveis ​​ao abuso e manipulação por outros, mas também por nós mesmos.

Quando sabemos o que somos capazes de fazer mais ou menos facilmente, quando nos aceitamos com defeitos e virtudes, por natureza, o respeito próprio é dado, e é mais fácil exigirmos o respeito dos outros. Dessa forma, somos capazes de estabelecer limites e impedir que outros nos abusem de qualquer maneira.

Isso, por sua vez, tem como conseqüência que procuramos conhecer os outros (antes de julgá-los ou discriminá-los), valorizá-los pelo que eles são e respeitá-los, assim como queremos que seja feito conosco.

Como praticar o amor próprio?

Quando reconhecemos o valor que temos para nós mesmos, ou seja, quando nossa autoestima é baseada no autoconhecimento e no respeito, dificilmente nos exporemos a situações de risco, como manipulação, chantagem emocional, relações tóxicas e violência psicológica ou física.

A manifestação do amor próprio é nada menos que o autocuidado. É a maneira como reagimos ao que percebemos e valorizamos em relação a nós mesmos.

Se formos merecedores de felicidade, procuraremos tudo que nos brinde e evitaremos o que negamos. O autocuidado, que deriva do amor próprio, é importante para nossa saúde física, mental e emocional.

Quem se ama e se cuida ...

  1. Abrace suas partes imperfeitas
  2. Reconheça seu valor
  3. Pratique autocuidado
  4. Não somos partes, somos um todo
  5. Não se compare com os outros

Assim, aqueles que se amam cuidam de si mesmos e se proporcionam bem-estar, assim como fazem com os outros. 

PositivaMente,
Milena Mendonça

26 de abril de 2019

A importância da relação entre pais e filhos

O pai é o primeiro “estranho” que a criança encontra fora do ventre da mãe, e encarna primeiramente tudo o que não é “ela”. Ele se torna o terceiro fator nessa relação de afeto familiar, ao mesmo tempo que configura um elemento de separação (ainda que simbólica) entre a mãe e a criança.


A relação com esse primeiro “estranho”, ou seja, a relação entre pai e filho, como instintivamente sabemos, é fundamental para o desenvolvimento saudável de qualquer indivíduo. A qualidade da relação entre o pai e o filho, entretanto, é tão importante quanto a presença física, palpável, do pai. Uma relação calorosa e afetuosa entre um pai e seu filho vai reforçar o desenvolvimento de vários aspectos da identidade deste último. Os limites e a disciplina impostos pelo pai só serão eficazes nesse contexto. A qualidade dessa relação, ao contrário do que se acreditou por muitos anos na psicologia, é ainda mais importante nos primeiros anos de vida. As crianças que sofreram com a ausência do pai ao longo dos dois primeiros anos são menos eficientes, em vários aspectos do desenvolvimento da personalidade, que aquelas não tiverem os pais presentes em uma idade mais avançada. Crianças cujo pai se ausentou enquanto tinham menos de 2 anos de idade revelaram-se menos confiantes, menos criativos e com sentimentos de inferioridade maiores que nas crianças cujos pais tinham se ausentado entre as idades de 3 a 5 anos.

Um pai “ausente”, por outro lado, pode ser física ou emocionalmente inadequado ao se comportar de modo disfuncional com seu filho. A principais situações que causam as maiores frustações na relação  ai e filho podem ser resumidas nas seguintes:
(1) A ausência prolongada do pai, seja pelo abandono puro e simples ou por uma internação hospitalar prolongada, por exemplo.
(2) A falta de resposta do pai às necessidades de afeição e de ligação do filho, quando o pai negligencia os comportamentos pelos quais a criança demonstra sua necessidade de atenção.
(3) As ameaças de abandono por parte do pai, utilizadas com o objetivo de punir ou de disciplinar a criança.
(4) A indução da culpa na criança, com o uso de afirmações que visam torna-la responsável pela doença ou até pela morte de um dos genitores.
(5) Um pai que “dá trabalho” ao filho; como no caso de um pai alcoólatra, por exemplo. Numa situação como essa o filho pode se sentir obrigado a agir como um pai, crescendo rápido demais para a sua idade.
(6) Agressões físicas regulares, por toda a carga de violência, humilhação e rejeição que carregam.

Portanto, é fundamental que os pais invistam tempo, energia e amor em suas relações com os filhos. Uma criança corre o risco de permanecer uma pessoa passiva e incompleta se, ao chegar em casa, o pai se limitar a esticar o corpo sobre o sofá para assistir televisão, sem participar do funcionamento da família.

Com carinho,
Isadora Lacerda.

10 de abril de 2019

Perdão: o que isso tem a ver com sua saúde mental?

A falta de perdão gera ansiedade, depressão, estresse e inúmeras doenças psicossomáticas. Eu considero o ato de perdoar extremamente importante para a construção de uma autoestima saudável e para o bem-estar psíquico. Primeiro porque se você não perdoa o outro, você carrega um lixo emocional totalmente tóxico para o seu bem-estar físico e mental. Segundo porque sem o auto perdão é impossível ter uma relação de amor e respeito por si mesmo. O rancor, a mágoa e a culpa faz com que você caminhe pela vida com a mochila pesada de coisas que não favorecem em nada a sua felicidade e a sua saúde física e mental.



É preciso entender alguns mitos que podem te impedir de soltar essa história de dor e sofrimento. O perdão não envolve esquecer e manter a relação com a pessoa que te feriu, mas, viver em paz sem se deixar ser atormentado com aquilo que aconteceu, com o evento desagradável. Você pode não esquecer do trauma, mas ao lembrar, não sente a sensação negativa de antes, passando a aceitar que aquela situação fez parte da sua história e está no seu passado. Para exercer o perdão, é importante parar de contar as histórias tristes de como você foi vítima de alguém, como sua dor é grande. Assim a ferida não vai cicatrizar! E para sair desse ciclo de rancor e perdoar genuinamente, é necessário exercer a empatia, perceber que a pessoa que ofendeu também tem sofrimento e talvez não tenha cometido aquele ato com a intenção de te magoar. Se você conseguir tirar o peso de achar que foi uma situação pessoal contra você e perceber que aquilo tem a ver com o momento e dores dela, acredito que muda seu olhar para essa história. Ao lembrar que você também erra com outras pessoas, pode conseguir ver a humanidade de quem te feriu (e também da sua quando comete erros) e exercer a compaixão. Ela não é perfeita, assim como também você não é e está tudo bem em se permitir ser humano.

Outro passo importante é sair da vitimização. Se manter nessa posição, mantém também a raiva, ódio,  ostilidade, tristeza, dor, vingança. Sair do papel de vítima, devolve a você o seu poder! O poder pessoal de decidir o que fazer com o que fizeram com você ou decidir o que fazer a partir do erro cometido. Você não vai ter saúde mental se continuar preso as dores e aos erros do passado. Observe os aprendizados em cada situação. Quem você se tornou após ter vivido essa situação de dor/erro? Qual o presente que essa situação traz para você que você não consegue enxergar?

Perdoar é um processo, uma construção, além de ser uma ação muito corajosa. O perdão é para seu próprio benefício, não depende do reconhecimento do outro em relação ao erro para ser liberado. O autoperdão, é uma atitude de muito respeito com você, já que é o único que conhece os seus motivos para ter cometido aquele erro. Naquele momento, o que você fez era a única coisa que poderia fazer com a consciência que você tinha. Compreende seu erro, retira o aprendizado dessa história e segue. Com treino e técnicas simples, você vai exercendo o perdão aos poucos, no seu tempo. Uma dica da Psicologia é escrever uma cartão de perdão. Escolha uma pessoa que você precisa perdoar e escreva a situação, o que a pessoa fez com você. Nesse momento, pode ser que você sinta as emoções desconfortáveis que a situação desperta. Permita sentir. Escreva o que você gostaria que a pessoa fizesse com você. Escreva também tudo que você quer falar para essa pessoa. Escreva você perdoando. Ao final, você pode rasgar ou queimar a carta, não precisa enviar para ninguém. Libere o perdão. Faça isso por você, pelo seu bem-estar! Decida e escolha ser feliz!

“Falhou tá falhado e não se falha mais nisso”

Com amor, Emanuela.

3 de abril de 2019

Fazer parte e Ser inteiro: sobre como pertencemos à nossa família

No estudo da Terapia Familiar, “pertencer” pode ser visto como um sentimento, não somente como algo que é reconhecido através de laços de sangue, parcerias ou matrimônios. Sentimento esse que parte do nosso íntimo e se desenvolve nos relacionamentos. Indo um pouco mais a fundo, pode-se refletir acerca de como o pertencimento nos faz sentir sobre quem somos, ou ainda, sobre quem gostaríamos de ser. Será que uma coisa pode atrapalhar a outra? 




Talvez a resposta esteja na compreensão das crenças que aprendemos e co-criamos em nossas famílias. Já que, muitas vezes, nossas crenças familiares podem estar em conflito com sonhos e perspectivas individuais.
O que acontece quando queremos seguir um caminho diferente daquele que nos foi apresentado no seio familiar? Ou ainda, quando o tal “caminho diferente” é visto como uma afronta? Teríamos então de decidir entre “fazer parte” e “ser inteiro”? 
Dentre muitas das crenças que aprendemos, podemos ter ouvido - ou simplesmente aprendido - que a independência acontece com o rompimento, com o não precisar do outro, seja financeiramente ou mesmo emocionalmente. Porém, essa lógica nem sempre está em harmonia com o que sentimos. Podemos nos descobrir tristes e magoados com situações do tipo, e, insistir em racionalizar o que estamos sentindo, dificilmente nos trará as soluções que buscamos.
Muitas vezes em consultório escuto a frase “quero deixar de sentir isso”. Uma guerra interna travada entre o que acreditamos que devemos fazer e o que acabamos fazendo.
Terapeuticamente, podemos começar a visitar a ideia de que “fazer parte” não é o mesmo de “ser dependente”. Saber cuidar de si quando necessário e ser capaz de tomar decisões de vida minimamente saudáveis não exclui nossa necessidade de conexão com o outro. 
Vale refletir ainda sobre como, muitas vezes, ao supostamente rompermos com a família (ou outros relacionamentos importantes) acabamos por buscar (ou simplesmente encontrar) outras pessoas com as quais nos relacionamos de forma dependente, seja emocionalmente ou, algumas vezes, até mesmo financeiramente. Alguém do lado de fora de um sistema familiar que rejeita o que você está apresentando como seu, como individual. Alguém que finalmente te aceite e vá suprir necessidades básicas que ficaram não atendidas. 
Dessa forma, podemos pensar em diferentes fases das nossas vidas e em como nos desenvolvemos de forma individual e relacional através delas. Por exemplo, enquanto crianças nossa prioridade na família sempre será de se conectar e se manter seguramente dependente dos que podem nos nutrir e cuidar; Já enquanto adolescentes, nossa tendência é de buscar autonomia e individualidade, o que muitas vezes pode trazer conflitos com as expectativas do sistema familiar. Mas, e enquanto adultos? Estaríamos “presos” em alguma dessas dinâmicas? 
Sentir-se parte pode também fazer parte de ser por inteiro, e mais ainda, de sentir-se verdadeiramente dono de si. Pois assim, adentramos o mundo das relações, e dos tantos papéis que temos que cumprir, mostrando nossa cara, nossos sentimentos e aspirações. Buscando formas de se ser que respeitem o outro e nos permitem exercitar a conexão e a empatia. 
Se tornar adulto nos exije certa dose de reflexão e autoconhecimento, para  que possamos - finalmente - tomar consciência de atitudes, sentimentos e relações que são nocivas ao nosso crescimento e florescimento pessoal.
Crescer e “ir pro mundo” é levar consigo aprendizados, sentimentos, crenças, expectativas e perspectivas que desenvolvemos ao longo das nossas vidas através dos relacionamentos mais significativos. Tomar consciência de como nossa família funciona é também uma forma de autoconhecimento, possibilitando assim maneiras de transformar-se individualmente, entendendo a ligação entre a sua individualidade e o mundo que fazemos parte.

Com amor,
Renata.