Reconhecendo a criança interior: um contato com o seu mundo emocional

Sempre gostei de ligar a imagem da nossa criança interior ao nosso mundo emocional. Pensar na criança e como ela expressa e processa emoções pode ser uma ótima maneira de compreender como lidamos com situações difíceis e determinadas dinâmicas em relacionamentos. 

A criança que chora por uma dor “invisível”, que faz birra por algo aparentemente sem sentido, que parece “só querer controlar” situações ou talvez “chamar a atenção”, comunica um mundo emocional ainda desconhecido ou pouco investigado. Tantas são as mensagens por trás dessas emoções! Medos, traumas, anseios ou até mesmo necessidades básicas não atendidas. 



Necessidades essas que, como adultos, não podemos voltar atrás e atender. É preciso cuidar dessa criança (muitas vezes ferida) no presente que temos para viver. Crescemos. E trazemos conosco as luzes e as sombras dessa criança. O que aprendemos e assimilamos no nosso inconsciente; a maneira que exploramos o mundo ao nosso redor; a forma que aprendemos a confiar ou desconfiar do outro; como nos relacionamos intimamente. Tanto se pode desbravar acerca das influências da nossa criança interior e nossa vida presente. 

Pode-se refletir em como nossa criança foi cuidada no passado. O que lhe diziam quando estava triste? Como lhe tratavam quando estava com raiva? Quem lhe ensinou a digerir o medo? Como ela aprendeu a criar coragem dentro dela? Quem fomentou ou podou sua curiosidade acerca do mundo ao redor? Como aprendeu a lidar com a vergonha? Como era atendida quando chorava e precisava de apoio emocional? 

Que mensagens essa criança recebeu sobre o cuidar de si? Sobre o aprender a processar e se responsabilizar por suas emoções? Ou ainda, aprender a se relacionar consigo mesma (suas dores, anseios, frustrações, alegrias e tristezas) e com o outro? 

Como adultos, podemos resgatar nossa autonomia, segurar na mão da nossa criança interna e dizer: “Vai ficar tudo bem, não precisa tomar as rédeas, estou aqui para cuidar de você agora”. Talvez assim, dar permissão para que essa criança possa finalmente ser criança. Trazendo brilho aos nossos olhos de gente grande e ocupada, nos ajudando a enxergar novas possibilidades e a apreciar o mundo e as pessoas ao nosso redor. Ela pode finalmente se permitir brincar, sorrir e descansar quando for preciso. Ela pode fazer questão de passar tempo com gente que ama só por se sentir segura com aquela companhia. Aprender coisas novas, desbravar lugares, fazer novos caminhos. Ela pode deixar suas potencialidades fluirem e cumprir seu papel de ser leve e livre dentro de você. E principalmente, aprender a confiar nesse adulto também interno, deixando que ele cuide de suas necessidades ao longo do caminho. 

O adulto responsável por suas emoções permite que o outro seja quem é. E, através da curiosidade (e não do medo, da ansiedade ou tentativas de controle), explora o mundo do outro com respeito e amor. Da mesma forma que foi aprendendo a conhecer, aceitar e respeitar o próprio mundo interno. Ser gentil consigo mesmo, com sua criança interior, te trará formas mais saudáveis de se relacionar com o mundo. Tolerância, empatia, gentileza. Como seria o mundo de hoje com adultos que tenham suas crianças internas bem acolhidas e amadas? 

O processo de auto-conhecimento e auto-cuidado pode ser intenso, longo e difícil de assimilar. Pode ainda ser profundo, bonito e transformador. Estar pronto para se conhecer e se responsabilizar por você mesmo (suas emoções e atitudes) é um grande passo para mudar o que está ao redor. Com amor e gentileza, respeitando nosso tempo interno, nossas dores, nossos sentimentos e nossas relações, acabamos por respeitar também o tempo do outro.

Que a sua criança tenha sempre espaço para brincar e amar com segurança dentro de você!

Gratidão,
Renata.

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