15 de julho de 2019

Meu filho virou um adolescente, e agora?

Existe uma consciência coletiva equivocada sobre a adolescência e que vem sendo passada de geração em geração. Ensinamentos que diminuem a adolescência a uma fase complicada, de rebeldias, dores de cabeça e ingratidão. Mas o que, de verdade, pode ser entendido sobre a adolescência e a relação que se estabelece entre pais e filhos nessa fase?



O fato é: quando os filhos chegam à adolescência os pais automaticamente entram em uma fase de incompetência e vulnerabilidade, na qual o que foi construído/mantido no ciclo anterior precisa, agora, ser repensado. É nesse contexto que surgem os conflitos, os afastamentos e a construção de rancores.

É papel dos pais, entretanto, como indivíduos mais maduros e experimentados, assumir a tarefa de distinguir em seus filhos o que são comportamentos e o que são emoções. É muito importante focar nas atitudes especificas dos adolescentes, sempre evitando rotulá-los como preguiçosos, apáticos ou ausentes. Não é tarefa fácil.

A fórmula para o equilíbrio na relação entre pais e filhos na adolescência está na família e no amor. Família e amor nessa fase são duas palavras complicadas. Estudos demonstram que um pouco mais da metade dos filhos na puberdade não se sentem amados pelos pais, e vice-versa. Isso não quer dizer que o amor não esteja presente (nós sabemos disso!), mas sim que ele não tem sido percebido e sentido.

É preciso que os pais reconheçam que existe uma idealização do filho perfeito, desde a fase da gestação, quando se imagina como ele será em cada fase de vida. A adolescência desconstrói essa imagem idealizada perfeita, fruto de tanto trabalho e investimento de tempo, amor e dinheiro.

É preciso reconhecer também que o relacionamento que temos com os nossos filhos geralmente reflete os relacionamentos que temos com nós mesmos. O adolescente mexe com o que deixamos para trás, com a juventude que ficou, com o que nos tornamos. Ver um filho se tornar adolescente é admitir que estamos envelhecendo, que a vida passa e que é preciso reavaliar nossos próprios caminhos. Por isso, reflita: como anda o seu relacionamento com você mesmo (a)?

Em resumo: são os pais, mais maduros e vividos, que devem liderar seus filhos durante a travessia da adolescência. Ouvir mais, praticar a empatia, não rotular e distinguir emoções de comportamento são as chaves para uma convivência mais tranquila durante a fase que será uma das mais turbulentas – e necessárias – na vida do seu filho.

Com carinho,
Isadora Lacerda.

8 de julho de 2019

Reconstruindo sua vida após o divórcio

Quando uma relação amorosa chega ao fim algumas pessoas se deparam com a frustração e a dor de ver o sonho de construir uma família sendo diluído com a separação, é uma dor imensurável. Além de ter que lidar com as próprias dores, anseios, medos, frustrações, julgamentos e culpa, a pessoa ainda se vê tendo que lidar com o que a outra pessoa está fazendo da vida dela (acredite, esse pode ser um fantasma que assombra os recém separados). O divórcio é a crise na vida adulta mais comum, também é uma dor subestimada por muitas pessoas, até passarem por ela!



As fases que uma pessoa no processo de separação conjugal passa podem ser as mesmas enfrentadas no luto por morte de alguém querido. Algumas pesquisas na área afirmam que os recém divorciados podem enfrentar o pior nível de bem-estar e felicidade, maiores níveis de depressão e outras psicopatologias. É considerado por alguns estudiosos como o maior evento estressor e traumático na vida de um adulto. Então, se esse é o seu caso, não subestime a sua dor. Sinta a dor e olhe ela de frente para poder se curar.

Sugiro algumas dicas para se reconstruir após o divórcio:

Aceite: Aceitar a realidade nesse momento pode ser bem difícil e contraditório, caso não tenha sido uma escolha sua. Mas, brigar com a realidade não muda os fatos, pelo contrário, só te aprisiona ainda mais na dor. Aceite o que vem, aceite o que está sentindo. Se conecte com a emoção. Respire. Se conecte com você. Se acolha. NÃO SE ABANDONE! Escreva quais eram as coisas que você não gostava nesse casamento. Quais são seus medos? O que essa situação tem para te ensinar?

Decida: Quando você aceita a realidade, você pode decidir como quer se sentir. Olhar para o que deveria ter feito ou o que não deveria ter feito na relação, não muda a realidade e nem facilita a aceitação. Mas, olhar para as razões que agora você tem para recomeçar ou ser feliz novamente, traz uma outra postura. Então decida como quer se sentir daqui para frente.

Perdoe: Talvez você não consiga perdoar o outro pelo “abandono” ou a si mesmo pela sua responsabilidade no divórcio. É difícil, mas é muito importante para seu processo de cura dessa dor. É uma questão inicialmente de decisão. O que você precisa perdoar em relação ao seu casamento (ou fim dele)?

Recomece: Agora é hora de se levantar. É hora de se RECONSTRUIR! Recomece com pequenos gestos de autocuidado como exercícios físicos, alimentação saudável, dormir melhor, fazer coisas que te dão prazer. É hora de olhar para você e juntar os seus pedaços. Escreva coisas positivas que aconteceram com você após a separação. O que acha de resgatar ou criar novos sonhos? O que te faz feliz e te realiza? É hora de investir em você.

Gratidão: Sei que parece loucura no meio da dor procurar algo para agradecer, mas toda experiência, ainda que negativa, traz aprendizado e transformação. Essa também é a chance de você se tornar alguém melhor. Agradeça por tudo que viveu e aprendeu na relação. Procure motivos para agradecer também pelo que tem de bom acontecendo em sua vida nesse exato momento.

Busque ajuda: Cerque-se de pessoas que amam você e te ajudam a sentir mais bem-estar. Busque uma rede de apoio, grupos terapêuticos e também acompanhamento psicológico. A terapia proporciona o reencontro com o amor da sua vida: você.

Não perca a fé em você, na vida e no amor. Parece clichê dizer isso, mas essa dor vai passar. Cuide de você.

Com amor, Emanuela.

3 de julho de 2019

O que a raiva não faz

Entender o que sentimos é importante. Viver por aí despejando emoções sem cuidado e sem enxergar o que está por trás delas, pode nos levar a caminhos contrários ao que estamos buscando. Veja, nossas emoções são também formas de comunicação. Formas essas cheias de informações sobre nossa maneira de se relacionar. Muito do que não conhecemos sobre nós pode ser melhor analisado através do que sentimos e os efeitos desses sentimentos em nosso corpo, nossos relacionamentos e nossa vida. 



Na teoria do apego, com um olhar no desenvolvimento de um vínculo saudável entre cuidadores e suas crianças, sentimentos como a raiva precisam de espaço e acolhimento. Para que assim a criança aprenda a lidar com a raiva de forma saudável. Mas o que isso significa exatamente? 

Significa observar e perceber qual é a melhor maneira para que você e sua criança aprendam a lidar com sentimentos difíceis ou desconfortáveis. Entendendo ainda que esse desconforto é aprendido e percebido de diferentes formas a depender do contexto cultural e social da criança. Outra grande diferença também se faz em relação ao gênero da criança. A maneira de expressar raiva entre meninos e meninas pode ser recebida de formas bem diferentes pelos seus cuidadores. E isso irá influenciar na educação emocional deles ao longo de suas vidas.

Outra perspectiva interessante é observar a raiva como forma de defesa e proteção, principalmente quando nos sentimos em perigo ou estamos em uma situação difícil. Usar essa força interior para se defender ou externar o que lhe incomoda é uma habilidade necessária e que deve ser aprendida. Contudo, lidar com a raiva de forma saudável é também dar espaço a ela sem ferir o outro e a si mesmo, sem julgamentos negativos, com respeito, com voz, com amor, ou até com “segundas chances”. Mas não necessariamente como um desabafo cruel e passageiro, seguido de culpa e medo. Um desabafo que nada soluciona e que pode causar arranhões na relação com o outro.

A perspectiva de Bert Hellinger - criador de um método sistêmico chamado Constelações Familiares - sobre a raiva me trouxe certo alívio. Incomodar-se com esse sentimento me parecia algo condenável de acordo com a teoria do apego (que defende seu acolhimento e aceitação). Porém, Hellinger esclarece a necessidade de se ver e lidar com as coisas como são e de assumir e perceber incômodos que, em sua maioria, estão sendo sentidos por você e pelo outro. Dessa forma, esses pontos de vista se complementam. E assim, o que você sente se torna o termômetro perfeito para compreender o que está acontecendo na relação, e esse sentimento precisa ganhar voz, lugar e ação ligada uma solução que beneficiará todos os envolvidos. A ação (ou falta dela), que machuca e reprime o que se sente, trará consequências negativas não só para você, mas também para aqueles ao seu redor. Se estiver atento ao que sente, muito provavelmente estará mais próximo de perceber a realidade que você e as pessoas que ama estão vivendo. 

Ainda na perspectiva de Hellinger, fala-se do perigo de pensar que se está processando uma raiva que pode, na verdade, não passar de fantasias e projeções. Essas fantasias (muitas vezes ideias fixas e sempre negativas) nos prende a um sentimento que nos paralisa, nos impedindo de agir em busca de soluções e de vocalizar o que realmente nos incomoda. Damos assim um passo para trás na relação com o outro, deixando de trabalhar problemas e incômodos, sufocando nossas necessidades emocionais e cultivando, por consequência, essa tal raiva que não se esvai depois dos desabafos e gritos. Acaba, pelo contrário, voltando à tona em um cotidiano cheio de “gatilhos” ligados à esse sentimento. Esses “gatilhos” são pequenas coisas que nos fazem sentir de novo que precisamos “explodir” e fazer o outro perceber que algo está errado. 
Contudo, a reflexão principal não é a de condenar emoções, mas compreender maneiras eficazes de lidar com elas e, principalmente, de comunicar ao outro o que você realmente sente. Mostrar “a poeira embaixo do tapete” e pedir ajuda para limpa-la de lá. 
Assim, podemos entender a raiva dentro de nós como uma não ação. Daí esse título: o que a raiva não faz. A raiva não te dá espaço para agir como você sente que precisa. A raiva sozinha te deixa empacado em um problema, obcecado com uma questão que nunca parece ter solução ou que sempre se repete na sua vida e relacionamentos. A raiva não te guia, ela te cega... de si e do outro. E ela com certeza não vai te levar aos seus objetivos e à realização dos seus sonhos. 
Pense em algo que te cause raiva. Algo pessoal ou ligado a uma relação próxima. O que você gostaria de obter através dessa raiva? Atenção, compressão, confiança, cuidado, apoio emocional? O que essa raiva grita? Consegue formular uma frase? Talvez algo do tipo: “Eu preciso que você me ajude!”; ou ainda: “Você precisa aprender a me ouvir!”; quem sabe até: “Por que não me ama como eu sou?”. Dar voz ao que sente é também uma valiosa prática de autoconhecimento, além de ser bastante terapêutico! 
Se cuide, se ouça, se perceba e continue crescendo! 

Com amor,
Renata Brügger.

26 de junho de 2019

Sobre Saúde Mental: o que faz sentido pra você?

Hoje venho convidar a uma reflexão. Mais do que mergulhar em teorias e tentar entender o que está por trás de comportamentos e emoções, questiono o sentido pessoal que desenvolvemos acerca da nossa saúde mental.



A psicologia enquanto ciência e as práticas terapêuticas desenvolvidas ao longo dos anos, nos trazem um embasamento profissional para compreender e encontrar soluções para tantas questões que permeiam o âmbito dos relacionamentos e do desenvolvimento humano. 

Contudo, ao pensar no trabalho realizado em consultório sempre me questiono (e questiono meus clientes) sobre o que faz sentido para quem me procura. Assim, quais são as perspectivas negativas e positivas acerca de um dado problema ou sintoma? Como enxergamos possibilidades e soluções? Ou ainda, o que pode ajudar a enxergar pontos de vista que nos ajudem a seguir em frente? 

Essa reflexão tem muito a ver com a humanização da saúde mental. Se é que já não lhe pareça estranho pensar em uma saúde mental “desumanizada”. Mas ela existe. Ela está no gosto amargo e seco de teorias e técnicas mal utilizadas, que não consideram contexto, cultura, preferências e, principalmente, os traumas pessoais de cada um. Está em práticas que limitam e tentam colocar pessoas em caixas, as deixando serem definidas pelo que as perturba e não pelo que as fazem crescer e florescer!

Se pensarmos que somos o problema, a doença, o que está errado, como acreditaremos que somos capazes de construir a solução?

Olhar e perceber nossa saúde mental é parte essencial do encontrar-se e do cuidar de si, principalmente em momentos de “fim de linha”, quando acreditamos que não há esperança. 

Mas não se enganem, os problemas são reais e a saúde mental da população em geral não está das melhores. A questão é: como encontrar sentido em meio a tanto caos e acreditar que vale a pena seguir em frente? Seria a saúde mental um eterno exercício de esperança? 

A Terapia, em sua essência, contribui fortemente para que possamos conhecer, aceitar e praticar mais do que nos faz bem, do que faz sentido para nós, nos ajudando a crescer e melhorar enquanto pessoas. É com toda certeza, um importante serviço de desenvolvimento social. Para mim, exercer esse trabalho faz todo sentido! 

E pra você? 
Qual o sentido do que te faz bem? 

Com carinho,
Renata.

17 de junho de 2019

O que atrapalha e o que ajuda na criatividade? | CriativaMente no Divã

O que atrapalha e o que ajuda na criatividade? | CriativaMente no Divã [Episódio 1]



A criatividade é o que nos move sempre na direção de um lugar positivo e melhor. Se não fosse ela, nós ainda estaríamos vivendo como nos tempos das cavernas. A criatividade é uma habilidade importante e possível de ser desenvolvida por qualquer pessoa, não é uma exclusividade para gênios ou artistas.

Mas como exigir que as pessoas sejam criativas, se as escolas e faculdades não ensinam seus alunos pensarem fora da caixinha, a serem proativos e criarem soluções diferentes para problemas comuns? Se nem nossos pais nos ensinam criatividade – nos chamando a atenção a cada atitude e ação que tomamos fora do comum – como podemos ser criativos?

Então, no divã, Milena Mendonça (Psicóloga) e Lulu Souto (Designer de jóias), refletiram sobre a criatividade e deram 3 dicas valiosas de como destravar o processo criativo, no primeiro episódio da série CriativaMente no Divã.

Tem um vídeo versão resumida bem bacana no IGTV, mas o video versão estendida e completa o só no nosso canal do Youtube.

Que já está no ar. Confira e comente no Instagram ou no canal do Youtube da Casa Positiva o que achou. Aproveite e sugira temas para nossos próximos episódios.

PositivaMente,
Milena Mendonça 🌻

12 de junho de 2019

Como anda amando? Como está sendo amado?


Buscar a felicidade do outro não é algo negativo. Agradar os outros, fazer coisas agradáveis ​​por eles, ceder às necessidades deles muito menos. Pelo contrário, é algo bom e desejável, desde que seja um ato que nasce de um altruísmo maduro e desinteressado, de um autocontrole e de um equilíbrio emocional que leva a pessoa a agir livremente e a buscar realmente o bem do outro. Mas quando não é assim?



Muitos bloqueios e sintomas de ansiedade estão intimamente relacionados à necessidade de responder às expectativas - reais ou imaginadas - do outro. Agir desta maneira, é uma faca de dois gumes, em primeiro lugar, porque não é possível nem saudável tentar corrigir as deficiências dos outros e, em segundo lugar, porque você deixa de ser autêntico ao tentar adaptar-se às demandas externas.

É muito provável que a ideia de sentir-se obrigado a satisfazer e agradar tenha sido aprendida na infância. Uma etapa em que a criança compreendia que o carinho, a atenção e o reconhecimento eram recebidos como resultado de viver de acordo com o que ele achava que seus pais queriam (tirar boas notas, ser um irmão exemplar, ouvir os problemas de sua mãe , etc.).
Os pensamentos e ações, e como as situações de desagrado são gerenciadas, são de responsabilidade de cada um. Uma pessoa excessivamente complacente procura abranger uma responsabilidade que, na realidade, não é dele.

A necessidade excessiva de ser aceito, o medo de decepcionar e de abandono fazem com que você renuncie a sua própria necessidade, agindo sob a opinião do outro e reprimindo seus próprios desejos e necessidades.

Assumir responsabilidade significa abandonar a necessidade de ser "aprovado" pelos outros e amado a qualquer custo. No final, o outro está amando uma imagem irreal ("nunca diz não", "não fica bravo", "faz tudo que eu preciso") que não pode ser mantido por um longo tempo, ou sim, mas ao custo da saúde e bem-estar próprio.

Se:

1. Você é espontâneo e expressa seus desejos e necessidades.
2. Você não tem sentimentos de culpa prejudiciais ou assume a responsabilidade pelos sentimentos, pensamentos e ações do outro.
3. Você não precisa refletir e analisar todos os fatos de maneira exageradamente escrupulosa para agir.
4. Você é firme em suas decisões e não se adapta às do outro quando realmente não as compartilha.
5. Você é capaz de ouvir os outros, enquanto ainda escuta a si mesmo.

São cinco sinais que mostram que você não age com complacência. E é "fiel a si mesmo", evitando a tendência de buscar a aceitação pela complacência e agindo de forma madura e coerente com os próprios sentimentos e pensamentos.

Diante disso, vamos refletir como andamos amando? E como estamos sendo amados?

PositivaMente,
Milena Mendonça

10 de junho de 2019

Criando filhos resilientes para que floresçam nas adversidades da vida

Do que se trata a Resiliência? Existem várias definições para esta palavra, mas, em essência,
resiliência é a capacidade de se adaptar e de responder positivamente diante das
adversidades. Ou seja, é a capacidade de se adaptar às mudanças, de lidar com problemas e
superar obstáculos.

Essa característica deixou de ser apenas importante. Segundo especialistas em educação de
crianças, ela se tornou absolutamente necessária nos dias atuais.



Crianças resilientes têm algumas características únicas, fáceis de identificar:

- Têm mais confiança em dizer “não”, quando desconfortáveis.
- Adaptam-se melhor a novas situações.
- Aumentam seus desafios e se fortalecem por meio deles, pois sentem menos medo de
errar.
- Aprendem a lidar melhor com sentimentos difíceis, como estresse, medo, tristeza e
raiva.
- Tomam ações práticas para resolver problemas.
- Assumem mais responsabilidades.

Ajudar as crianças a se tornarem resilientes não significa poupá-las de dificuldades ou
angústias. Dor emocional e tristeza são respostas normais para um trauma significativo ou uma
perda pessoal, ou mesmo para aprender sobre a perda ou trauma de outra pessoa. A
resiliência não significa não ter sentimentos negativos, mas sim aprender a lidar com esses
sentimentos sem se deixar dominar por eles.

Quais seriam os principais fatores para estimular a resiliência nos filhos?

O mais significativo de todos são as relações de apoio. Essas relações oferecem um cuidado
personalizado ao seu filho, permitindo que ele se desenvolva de maneira saudável. E, além
disso, ajudam-no a desenvolver habilidades importantes como planejamento, regulação do
comportamento e adaptação, que irão permiti-lo superar as dificuldades e prosperar.

Algumas dicas que podem auxiliar o fortalecimento da resiliência nos filhos:

- Cuidado com as mensagens que você envia sobre sucesso e fracasso.
- Construa momentos de relaxamento na rotina familiar.
- Desafie as crenças auto-limitantes com feedback baseado em evidências.
- Tenha a diversão como ingrediente vital na família.
- Busque conexão em família – não a perfeição!

Se você já se perguntou se valem a pena todos os seus esforços para ser uma mãe, pai ou
cuidador que apoia e cuida do seu filho, não duvide nem por um segundo mais! Ser sensível e
afetivo é o que ajudará seu filho a se tornar uma pessoa resiliente capaz de superar situações
desafiadoras.

Com carinho,
Isadora Lacerda

3 de junho de 2019

Alimentos, suas cores e seus benefícios emocionais

Todos os âmbitos da vida estão interligados. Quando a gente não entende, mesmo assim ela nos mostra e as coisas se encaixam. Na alimentação não é diferente. O corpo pede um alimento quando estamos precisando de algum nutriente. O corpo pede algum alimento quando estamos precisando nos acolher. 


O corpo pede algum alimento quando estamos precisando expandir. Se alimentar é autoconhecimento. É só questão de observar. E quando as cores dos alimentos nos trazem reflexos emocionais?! Cada cor tem uma vibração emocional e o alimento traz isso em forma de nutrientes. Essa relação nos faz ver o quanto às emoções estão associadas a nossa conduta alimentar e nossas ações.
A cor vermelha nos faz aterrar, ter vitalidade, coragem e individualidade. Consumir morango, beterraba, tomate, acerola, framboesa nos fazem criar raízes para podermos nos erguer com mais força.
A cor laranja nos traz prazer na vida, confiança, auto estima alma, desejos fortes e os alimentos com essa cor como abóbora, tangerina, laranja, cenoura, açafrão nos levam a relações mais leves.
Já a cor verde nos leva a cura, ao amor universal, compaixão e os seus alimentos como vagem, rúcula, couve, uva verde, abacate nos levam para a expansão do amor divino. 
Que tal em seu prato colocar mais cor? Que tal observar suas emoções e ver o que está precisando? 
Um arco-íris no prato nos leva a saúde física, mental e emocional. 
Experimente!

Com amor, sem dor. Angie.

21 de maio de 2019

Adolescentes positivos: seu filho não precisa ser o melhor. Ele precisa ser feliz.

Nós construímos expectativas sobre nossos filhos, mesmo antes de eles nascerem. Fazemos isso desde a escolha do seu próprio nome. As expectativas estão relacionadas aos nossos desejos e vivências. Muitas pessoas escolhem para seu filho o nome de alguém que desejam ou admiram e esperam que seu filho receba as qualidades positivas dessa pessoa. Outros o fazem em torno do significado, eu por exemplo, escolhi com meu marido o nome de Enrique, por ser uma versão espanhol, que em germânico significa "governante da casa”. Escolhemos pelas nossas vivências e pelo significado.



As expectativas influenciam muito o comportamento. O sociólogo americano Robert K. Merton foi um dos primeiros a explicar esse fenômeno por meio do que ele chamou de "profecia autorrealizável”. Merton explicou da seguinte maneira: "A profecia que autorrealiza é, a princípio, uma definição 'falsa' da situação que desperta um novo comportamento que faz com que a falsa concepção original da situação se torne ‘real'".

Suponha, por exemplo, que alguém conte um boato sobre um banco dizendo que ele irá à falência. O banco é sólido, mas se as pessoas acreditarem que o banco vai à falência, começam a sacar seu dinheiro, de modo que, no final, ele irá à falência. O que a princípio foi um fato falso, se torna verdade porque as expectativas das pessoas geram comportamentos que modificam o curso dos acontecimentos. Os psicólogos concentraram-se no estudo do efeito que as profecias têm sobre a identidade, autoestima, motivação e comportamento das pessoas.

Um tipo específico de "profecias autorrealizáveis" de grande relevância para a psicologia é o chamado "Efeito Pigmaleão”. O "Efeito Pigmaleão" foi descrito por Rosenthal e Jacobson em 1968, após um experimento realizado em uma escola na Califórnia. Os pesquisadores realizaram testes de inteligência nos alunos do centro educacional. Eles então selecionaram um grupo de estudantes aleatoriamente e disseram aos professores que essas crianças tinham inteligência, criatividade e habilidades especiais. Seis meses depois, Rosenthal e Jacobson descobriram que aqueles alunos rotulados como especiais obtiveram um desempenho acadêmico significativamente superior ao de seus colegas.

Como você explica o fato de que um grupo de alunos rotulados aleatoriamente como "especiais" obtiveram melhores resultados que seus colegas? A resposta será encontrada nas expectativas dos professores. Eles estavam mais atentos aos alunos que tinham sido rotulados aleatoriamente como "especiais", eles tratavam com mais cuidado sua educação do que a dos outros alunos. Essa atenção especial gerou nas crianças autoconfiança, autoestima e um aumento na motivação para obter bons resultados.

O problema do "Efeito Pigmaleão" surge quando a profecia é negativa para a autoestima de nosso filho. "A criança tem habilidades, mas ele é preguiçoso". É a frase que os pais mais dizem, em face do fracasso escolar de seus filhos. Com o adjetivo de "preguiçoso" eles tentam proteger a autoestima da criança, deixando claro que "seu filho não é burro". O problema é que o rótulo de "preguiçoso" é transformado em uma profecia que não o tira do fracasso escolar e se estende a outras áreas de sua vida, pois de tanto dizer ao filho que ele é preguiçoso, acaba se cristalizando assim.

Os pais então me perguntam no consultório, "o que posso dizer para explicar o fraco desempenho escolar de meu filho?”. A resposta que dou é: por que você tem que explicar isso? Por que você não pode simplesmente dizer: "meu filho tem dificuldades com a matemática". Quando nos limitamos a descrever o que acontece sem atribuí-lo traços internos, estamos evitando profecias e protegendo a autoestima de nossos filhos. Excessivas expectativas positivas também podem gerar estresse em nossos filhos, quando eles são formulados para que a criança sinta que não pode estar a altura.

Ninguém puxa a raiz de uma planta para que cresça mais rápido, confiamos que, se lhe dermos água, ar, luz e nutrientes adequados, ela saberá como crescer. Embora pareça absurdo muitas vezes nos encontramos fazendo isso com nossos filhos. Um exemplo: para o pequeno de um ano o presenteamos com sapatos para andar, e tem que dominar até os dois, quando para o segundo aniversário o presenteamos com velocípede, que tem que usar bem até os três, para então darmos a bicicleta… E assim seguimos com as expectativas e prazos para nossos filhos serem “melhores”. Como esse garotinho se sentirá hábil ou capaz, se lhe perguntamos permanentemente o que ele ainda não pode fazer? O que ele ainda deve aprender? Como você, pai e mãe, se certifica de não se desapontar? 

Ao contrário da planta (que sabemos que crescerá), nossa falta de confiança em nossa capacidade de educar e ser modelos adequados para nossos filhos nos leva a "empurrá-los" para a frente, não sendo capazes de desfrutar de suas conquistas, focando sempre no que está faltando. E assim, alcançamos exatamente o oposto do que almejamos: crianças com pouca confiança em si mesmas. Vamos aproveitar cada momento de florescimento dos nossos filhos sabendo que a próxima etapa chegará e os veremos sorrindo, felizes e confiante, o que todos sonhamos para nossos filhos.

PositivaMente,
Milena Mendonça

17 de maio de 2019

A importância de desenvolver Autocontrole


O autocontrole é a capacidade que temos de decidir autonomamente em qualquer situação que surja e orientar essas decisões para o que realmente queremos alcançar. Decidir serenamente tanto em decisões que afetam nosso entorno, quanto aquelas que afetam nosso interior.

Uma pessoa com autocontrole é também aquela que se encontra em situações dolorosas como um diagnóstico de doença terminal, e decide entre as opções de permitir seu desequilíbrio interno pelo evento ou controlar suas emoções para proporcionar bem-estar e a força de sua família (isso afetando seu interior primeiro).

Na psicologia, o autocontrole é tomado como uma peça fundamental para a saúde mental, física, psicológica e emocional de cada pessoa. É uma característica que está naqueles que se mantêm "em sã consciência", pelo menos a maior parte do tempo. Em seguida, quero mostrar alguns passos simples para alcançar o autocontrole. Depois de aplicá-las, você verá, sem dúvida, grandes mudanças em você.


  • Pense nas coisas positivas que aconteceram contigo


Normalmente, com o passar do tempo, nos lembramos dos nossos momentos negativos mais facilmente em nossas vidas … Todas as coisas ruins e desagradáveis ​​que aconteceram conosco ou que fizemos estão latentes.

Sua tarefa é exercitar seu cérebro para lembrar o positivo, para rememorar aquelas cenas em que você esteve cheio de felicidade pelas conquistas que alcançou, cheio de satisfação por algo bom que aconteceu ao seu redor e cheio de emoção para trazer alegria a outros.

Aumente sua auto-estima através da memória daquela coisa maravilhosa que você viveu, graças a você e ao que o rodeia. Graças a suas realizações e sucessos, é fundamental para o autocontrole, porque você simplesmente se lembrará de sua coragem e capacidade de alcançar os objetivos com que sonhou, sua capacidade de ser feliz e harmonioso dentro de si mesmo.

  • Equilibre razão e emoção

Normalmente, quando vamos tomar uma decisão, nossos padrões mentais tendem a nos levar a um caminho emocional que é racional e lógico. É importante equilibrar essas emoções com a razão, reprogramar sua mente para pensar nos resultados em vez de nos prazeres imediatos.

Isso é alcançado com consciência, com autoconhecimento. Em sua vida você também deve dar o passo que leva ao equilíbrio interno contra qualquer decisão ou caminho que você vai tomar. Pense nos resultados que você deseja obter e aplique a objetividade para escolher o plano de ação que o ajudará a alcançar o que deseja.

  • Viva como deseja

Tome a decisão dentro de si mesmo de viver uma vida consciente, de transformar sua realidade naquilo que você realmente quer, de passar seus dias fazendo as atividades que você ama e sendo feliz. Uma das principais causas das pessoas com falta de autocontrole está apenas sendo submetida, praticamente todos os dias, às decisões que os outros tomam para elas.

Você deve tomar as decisões necessárias para alcançar o que deseja… Sim, isso significa superar ou controlar seus nervos, fobias, medos, etc. E a psicoterapia está aí para te auxiliar também nisso.

  • Seja paciente consigo

Lembre-se de que tudo tem seu fluxo natural e seu processo a ser cumprido. Basta começar a olhar para sua linha da vida e você verá como cada dia você se aproxima da pessoa que você quer ser e dos resultados que você deseja obter.

Essas são as 4 dicas para florescer autocontrole. Simplesmente comece das pequenas mudanças para as complexas mudanças dentro de você. Analise no final de cada dia como você fez exatamente naquele dia em termos de autocontrole… 

Lembre-se do que você fez e analise se você realmente fez isso porque queria ou porque influências externas o levaram a fazê-lo. Não se castigue por ter feito algo errado em algum momento, em vez disso, pense que você pode se sair bem da próxima vez, e que você receberá uma recompensa sua pela conquista.  

A intenção é que você reconheça o privilégio que a sua vida representa neste planeta, o valor que o seu ser tem de fazer parte da história existencial do nosso mundo. Você verá que vale a pena viver feliz como sempre sonhou, tomar as decisões que nascem dentro de você. E com isso, alcançar a plenitude e ajudar aqueles que trabalharam duro para tornar este mundo melhor.

PositivaMente,
Milena Mendonça

Não existe Homossexualismo. Existe Homossexualidade e isso não é doença.

A primeira coisa que deve ser esclarecida, é que jamais deve ser usado o termo homossexualismo como alguns ainda se referem. O sufixo "ismo" indica doença, o que comprovadamente pela ciência, não é o caso da homossexualidade. O sufixo "idade" das palavras heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade indica identidade. Investigações científicas mostraram que a homossexualidade, por si só, não está associada a transtornos mentais ou problemas emocionais ou sociais. No passado, os estudos sobre gays, lésbicas e bissexuais incluíram apenas aqueles em terapia, criando assim uma tendência nas conclusões resultantes. Quando os pesquisadores examinaram dados sobre essas pessoas que não estavam em terapia, descobriu-se rapidamente que a idéia de que a homossexualidade era uma doença mental não era verdade. Em 1973, a American Psychiatric Association retirou a homossexualidade do manual oficial detalhando os transtornos mentais e emocionais. Dois anos mais tarde, a American Psychological Association aprovou uma resolução apoiando esta exclusão. Por mais de 25 anos, as duas associações solicitaram a todos os profissionais de saúde mental para ajudar a dissipar o estigma da doença mental que algumas pessoas ainda associam com orientação homossexual.


Os seres humanos não escolhem ser gay ou hetero. Para a maioria das pessoas, a orientação sexual surge no início da adolescência sem qualquer experiência sexual prévia. O que podemos escolher é agir ou não conforme nossos sentimentos, a identidade não é considerada uma escolha consciente que pode ser mudada voluntariamente. Orientação sexual é uma atração emocional, romântica, sexual ou afetiva, duradoura.

Na orientação sexual existe uma escala contínua que vai desde heterossexualidade exclusiva para homossexualidade exclusiva e inclui várias formas de bissexualidade. Bissexuais podem experimentar atração sexual, emocional e afetiva por pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto. Identidade ou orientação sexual é diferente do comportamento sexual, porque se refere a sentimentos e auto-conceito. As pessoas podem ou não podem expressar sua orientação sexual em seus comportamentos.

Há muitas teorias sobre a origem da identidade sexual de uma pessoa. A maioria dos cientistas concordam que a orientação sexual é provavelmente o resultado de uma complexa interação de fatores biológicos, cognitivos e ambientais. Portanto, identidade ou orientação sexual não é uma opção, é um processo individual complexo, no qual você não "escolhe" gostar, você simplesmente gosta. Como identidade religiosa por exemplo, você se identifica e pronto. Por "x" fatores culturais, ambientais, porém principalmente por abstrações feitas pelo próprio sujeito na construção de sua identidade.


Por isso, a identidade sexual, como outra identidade qualquer, deve ser respeitada, conversada, dialogada. A autoimagem é algo extremamente importante para o sujeito fortalecer. E isso depende de identidades bem determinadas. Evita que o sujeito sofra ao deparar com pessoas ignorantes, preconceituosas e intolerantes. Então, o mundo precisa mais disso! De menos moralismo, mais informações e principalmente mais respeito ao diferente, e às diferentes identidades!

PositivaMente,
Milena Mendonça 

14 de maio de 2019

Por que uma pessoa se torna vegetariana?

A palavra “vegetariano” vem do latim vegetus, que significa “forte, vigoroso”. se você não come produtos que envolvam a morte de qualquer ser do reino animal, você é considerado vegetariano.
Por que você adotou essa alimentação? Pode ter sido pela ética, saúde, meio ambiente ou por todos os três ao mesmo tempo.



E o que cada um simboliza nessa escolha? Bom, será muito bom mostrar isso pra vocês. Os motivos éticos nos levam a considerar que os animais têm o mesmo direito à vida e à proteção. Eles são sencientes e por isso têm a capacidade de se defender da dor e a habilidade de experimentar alegria. Ás vezes é difícil ter essa visão por falta de sensibilidade ou por interesse sobre o uso dos animais na vida cotidiana.
Já em relação à saúde, inúmeras pesquisas científicas mostram que uma alimentação sem carnes traz benefícios ao organismo. Previne, estabiliza e modifica ações de doenças ocorrentes no mundo. E ao meio ambiente? Ele é de todos e precisa ser cuidado por todos. a criação industrial de animais causa forte impacto ambiental como o desmatamento, a poluição, contaminação do solo, emissão de gazes. Produção numérica sem observação de impactos e prejuízos futuros.
Essas informações são bem importantes para levarmos a alimentação como um ato político, de amor próprio, respeito ao próximo e ao nosso planeta. Você me pergunta. Por que não vemos informações sobre esses impactos nas mídias? eu te respondo. Não há interesse político em mostrar esses dados. Muito longe de ser somente um rótulo, muito longe da culpa. Mas muito perto da autoresponsabilidade. E você, o que comeu hoje?

Com amor, sem dor.
Angie

8 de maio de 2019

Maternidade é uma escolha


"Não existe natureza humana, e sim condição humana”.

Diante da máxima "o ser vivo nasce, cresce, se reproduz e morre”, antes de discutirmos o fenômeno da maternidade, temos que discutir alguns conceitos que antecedem a maternidade no desenvolvimento humano. Por sermos animais emergidos em uma cultura, segundo Lev Vygotsky, psicólogo sócio-histórico, o termo natureza humana não existe, e sim, o termo condição humana. Partindo desse pressuposto que "a condição humana é representada pela construção de instrumentos para a satisfação de nossas necessidades, e que depende do momento histórico em que vivemos”. Condição humana é a possibilidade do ser humano criar a si mesmo, libertando-se dos limites impostos pelo biológico de seus organismos.


“Não existe instinto materno”. 

Por sermos animais moldados pela nossa cultura, não possuímos padrões de comportamentos estereotipados (instintivos). Então, o conceito de pulsão foi criado e utilizado por Sigmund Freud para substituir o termo instinto, que significa na psicologia um “impulso energético interno que direciona o comportamento do indivíduo”. Portanto, o termo pulsão distingue-se do instinto, por instinto ser ligado a determinadas categorias de comportamentos preestabelecidos e realizados de maneira estereotípica, enquanto pulsão refere-se a uma fonte de energia psíquica não específica, que pode conduzir a comportamentos diversos.
Portanto, para que um comportamento seja classificado como instintivo, ele deve ser inatamente determinado e deve ser específico a certas espécies e aparecer da mesma forma em todos os seus membros. 
Assim, fica evidente que instinto materno não existe. Caso existisse, não haveria nenhuma mulher em nossa espécie que rejeitasse o filho, o colocasse para adoção, o abandonasse ou que simplesmente não desejasse ter filhos. O que existe é o amor materno e não o instinto.
A questão é que a nossa sociedade não dá espaço para a mulher falar sobre esses sentimentos de ambivalência comuns na gestação e em muitos casos por todo o processo de maternidade. As regras, rótulos e valores da nossa sociedade são cruéis com as mulheres. Dessa forma as mulheres se calam ou reproduzem um discurso de maternidade idealizada e fantasiosa com medo de falar e serem julgadas. E aquelas mães que não seguem esse padrão idealizado passam a acreditar que há algo de errado com elas. O que não é verdade.
Amamos aquilo que conhecemos, por tanto o amor de mãe é construído e não “dado" instintivamente.

"Maternidade compulsória”

Em pesquisas realizadas no âmbito da psicologia foram detectados alguns estigmas e padrões sociais aos quais a mulher é submetida. Por exemplo, se ela for adulta e ainda não for mãe, é qualificada em posição inferior à de uma mulher que cumpre seu papel “natural" de se reproduzir. Além desta hierarquia, dentro da maternidade, as mães em situações “não-convencionais" tais como ter filhos fora da época “apropriada” (por volta dos 30 anos), que não são casadas ou sem condições financeiras para tal também perdem no conceito de aceitação social feminina.
Este conjunto de características e rótulos sociais recebe o nome de "maternidade compulsória”, e suas consequências variam desde prejuízos econômicos até a Depressão Pós-Parto, que acontece nas mais variadas culturas no mundo ocidental, com poucas diferenças significativas.
Daí a importância de se falar sobre isso. Aos olhos da sociedade, mulheres deixam de ser “mulheres" quando se tornam mães. Muitas relatam que não podem ter vida social, vontades, desejos, impulsos, vaidades, ambições ou sonhos, sob pena de se tornarem pessoas egoístas e/ou horríveis por isso. Em contrapartida, homens, quando se tornam pais e cumprem o seu papel social de pais (entende-se diferente de simplesmente “ajudando” a mãe a cuidar da criança), cuidando, criando, educando. Os mesmos tornam-se heróis na nossa sociedade.
Dessa forma, mulheres têm se anulado através da maternidade idealizada ao longo de muitos anos. Dedicando-se exclusivamente à maternidade. Os homens não, continuam se dedicando aos seus projetos individuais sem grandes anulações por terem se tornado pais. Ser mãe é uma tarefa muito difícil na nossa atual conjuntura social. E, não, não são os filhos que são um "fardo" pesado. O que torna o papel social de mãe tão difícil é a pressão e opressão social imposta por essa maternidade idealizada. Portanto, a maternidade deve ser vista como uma escolha, não como uma obrigação ou um papel imposto para a mulher. E cada mãe deve encontrar sua “fórmula" da maternidade, não existe uma padronização. Nascemos, crescemos, escolhemos se iremos nos reproduzir e morremos, essa sim é a máxima da condição humana.

PositivaMente,
Milena Mendonça

30 de abril de 2019

Como praticar o amor próprio?


Praticar o amor próprio sem cair no egoísmo ou no narcisismo implica alcançar um equilíbrio entre um trabalho interno no qual podemos apreciar nossa essência e alcançar harmonia com o ambiente, o que não é fácil.

O autoamor vai além da autoestima. Hoje, a autoestima, por exemplo, é um tema recorrente quando falamos de conflitos emocionais ou dificuldades em se relacionar com os outros: tudo parece indicar que devemos nos estimar melhor. Mas isso não é suficiente, pois, além de reconhecer nosso valor pessoal, devemos exercitar o amor próprio, ou seja, o autocuidado.

Há uma máxima que diz: "você ama o que conhece". Portanto, o primeiro passo para o amor próprio é o autoconhecimento. Um início complicado, porque a vida diária da maioria de nós é cheia de informações, mensagens constantes que vêm de fora e podem nos ofuscar, nos fazem perder a noção de quem somos.


O autoconhecimento é a capacidade que nos permite explorar o nosso ser, é a introspecção e a capacidade de nos reconhecermos como indivíduos. Isso nos permite reconhecer o que nos caracteriza e também o que nos vulnerabiliza.

Esse é o resultado de um processo analítico que envolve a maturidade de conhecer nossos aspectos positivos e negativos, mas também envolve reconhecer os mecanismos  de defesa nos quais nossas emoções funcionam e por quê nos utilizamos deles. Um fator que muitas vezes omitimos ao tentar nos conhecer. O autoconhecimento é o passo prévio e fundamental para alcançar a autoestima, o autorespeito e o autocontrole.

A principal consequência positiva do autoconhecimento é a autoestima. Esta é a fé que cada um tem em si mesmo, o valor concedido pelo fato de ser quem somos. É a percepção positiva do próprio valor, habilidades e conquistas, a melhor visão que temos de nós mesmos.

Embora existam situações que reduzem esse valor positivo, mesmo levando a uma visão completamente negativa de si mesmo, que é um fator de relevância na busca do amor próprio ou do autocuidado. Uma autoestima negativa nos torna vulneráveis ​​ao abuso e manipulação por outros, mas também por nós mesmos.

Quando sabemos o que somos capazes de fazer mais ou menos facilmente, quando nos aceitamos com defeitos e virtudes, por natureza, o respeito próprio é dado, e é mais fácil exigirmos o respeito dos outros. Dessa forma, somos capazes de estabelecer limites e impedir que outros nos abusem de qualquer maneira.

Isso, por sua vez, tem como conseqüência que procuramos conhecer os outros (antes de julgá-los ou discriminá-los), valorizá-los pelo que eles são e respeitá-los, assim como queremos que seja feito conosco.

Como praticar o amor próprio?

Quando reconhecemos o valor que temos para nós mesmos, ou seja, quando nossa autoestima é baseada no autoconhecimento e no respeito, dificilmente nos exporemos a situações de risco, como manipulação, chantagem emocional, relações tóxicas e violência psicológica ou física.

A manifestação do amor próprio é nada menos que o autocuidado. É a maneira como reagimos ao que percebemos e valorizamos em relação a nós mesmos.

Se formos merecedores de felicidade, procuraremos tudo que nos brinde e evitaremos o que negamos. O autocuidado, que deriva do amor próprio, é importante para nossa saúde física, mental e emocional.

Quem se ama e se cuida ...

  1. Abrace suas partes imperfeitas
  2. Reconheça seu valor
  3. Pratique autocuidado
  4. Não somos partes, somos um todo
  5. Não se compare com os outros

Assim, aqueles que se amam cuidam de si mesmos e se proporcionam bem-estar, assim como fazem com os outros. 

PositivaMente,
Milena Mendonça

26 de abril de 2019

A importância da relação entre pais e filhos

O pai é o primeiro “estranho” que a criança encontra fora do ventre da mãe, e encarna primeiramente tudo o que não é “ela”. Ele se torna o terceiro fator nessa relação de afeto familiar, ao mesmo tempo que configura um elemento de separação (ainda que simbólica) entre a mãe e a criança.


A relação com esse primeiro “estranho”, ou seja, a relação entre pai e filho, como instintivamente sabemos, é fundamental para o desenvolvimento saudável de qualquer indivíduo. A qualidade da relação entre o pai e o filho, entretanto, é tão importante quanto a presença física, palpável, do pai. Uma relação calorosa e afetuosa entre um pai e seu filho vai reforçar o desenvolvimento de vários aspectos da identidade deste último. Os limites e a disciplina impostos pelo pai só serão eficazes nesse contexto. A qualidade dessa relação, ao contrário do que se acreditou por muitos anos na psicologia, é ainda mais importante nos primeiros anos de vida. As crianças que sofreram com a ausência do pai ao longo dos dois primeiros anos são menos eficientes, em vários aspectos do desenvolvimento da personalidade, que aquelas não tiverem os pais presentes em uma idade mais avançada. Crianças cujo pai se ausentou enquanto tinham menos de 2 anos de idade revelaram-se menos confiantes, menos criativos e com sentimentos de inferioridade maiores que nas crianças cujos pais tinham se ausentado entre as idades de 3 a 5 anos.

Um pai “ausente”, por outro lado, pode ser física ou emocionalmente inadequado ao se comportar de modo disfuncional com seu filho. A principais situações que causam as maiores frustações na relação  ai e filho podem ser resumidas nas seguintes:
(1) A ausência prolongada do pai, seja pelo abandono puro e simples ou por uma internação hospitalar prolongada, por exemplo.
(2) A falta de resposta do pai às necessidades de afeição e de ligação do filho, quando o pai negligencia os comportamentos pelos quais a criança demonstra sua necessidade de atenção.
(3) As ameaças de abandono por parte do pai, utilizadas com o objetivo de punir ou de disciplinar a criança.
(4) A indução da culpa na criança, com o uso de afirmações que visam torna-la responsável pela doença ou até pela morte de um dos genitores.
(5) Um pai que “dá trabalho” ao filho; como no caso de um pai alcoólatra, por exemplo. Numa situação como essa o filho pode se sentir obrigado a agir como um pai, crescendo rápido demais para a sua idade.
(6) Agressões físicas regulares, por toda a carga de violência, humilhação e rejeição que carregam.

Portanto, é fundamental que os pais invistam tempo, energia e amor em suas relações com os filhos. Uma criança corre o risco de permanecer uma pessoa passiva e incompleta se, ao chegar em casa, o pai se limitar a esticar o corpo sobre o sofá para assistir televisão, sem participar do funcionamento da família.

Com carinho,
Isadora Lacerda.

10 de abril de 2019

Perdão: o que isso tem a ver com sua saúde mental?

A falta de perdão gera ansiedade, depressão, estresse e inúmeras doenças psicossomáticas. Eu considero o ato de perdoar extremamente importante para a construção de uma autoestima saudável e para o bem-estar psíquico. Primeiro porque se você não perdoa o outro, você carrega um lixo emocional totalmente tóxico para o seu bem-estar físico e mental. Segundo porque sem o auto perdão é impossível ter uma relação de amor e respeito por si mesmo. O rancor, a mágoa e a culpa faz com que você caminhe pela vida com a mochila pesada de coisas que não favorecem em nada a sua felicidade e a sua saúde física e mental.



É preciso entender alguns mitos que podem te impedir de soltar essa história de dor e sofrimento. O perdão não envolve esquecer e manter a relação com a pessoa que te feriu, mas, viver em paz sem se deixar ser atormentado com aquilo que aconteceu, com o evento desagradável. Você pode não esquecer do trauma, mas ao lembrar, não sente a sensação negativa de antes, passando a aceitar que aquela situação fez parte da sua história e está no seu passado. Para exercer o perdão, é importante parar de contar as histórias tristes de como você foi vítima de alguém, como sua dor é grande. Assim a ferida não vai cicatrizar! E para sair desse ciclo de rancor e perdoar genuinamente, é necessário exercer a empatia, perceber que a pessoa que ofendeu também tem sofrimento e talvez não tenha cometido aquele ato com a intenção de te magoar. Se você conseguir tirar o peso de achar que foi uma situação pessoal contra você e perceber que aquilo tem a ver com o momento e dores dela, acredito que muda seu olhar para essa história. Ao lembrar que você também erra com outras pessoas, pode conseguir ver a humanidade de quem te feriu (e também da sua quando comete erros) e exercer a compaixão. Ela não é perfeita, assim como também você não é e está tudo bem em se permitir ser humano.

Outro passo importante é sair da vitimização. Se manter nessa posição, mantém também a raiva, ódio,  ostilidade, tristeza, dor, vingança. Sair do papel de vítima, devolve a você o seu poder! O poder pessoal de decidir o que fazer com o que fizeram com você ou decidir o que fazer a partir do erro cometido. Você não vai ter saúde mental se continuar preso as dores e aos erros do passado. Observe os aprendizados em cada situação. Quem você se tornou após ter vivido essa situação de dor/erro? Qual o presente que essa situação traz para você que você não consegue enxergar?

Perdoar é um processo, uma construção, além de ser uma ação muito corajosa. O perdão é para seu próprio benefício, não depende do reconhecimento do outro em relação ao erro para ser liberado. O autoperdão, é uma atitude de muito respeito com você, já que é o único que conhece os seus motivos para ter cometido aquele erro. Naquele momento, o que você fez era a única coisa que poderia fazer com a consciência que você tinha. Compreende seu erro, retira o aprendizado dessa história e segue. Com treino e técnicas simples, você vai exercendo o perdão aos poucos, no seu tempo. Uma dica da Psicologia é escrever uma cartão de perdão. Escolha uma pessoa que você precisa perdoar e escreva a situação, o que a pessoa fez com você. Nesse momento, pode ser que você sinta as emoções desconfortáveis que a situação desperta. Permita sentir. Escreva o que você gostaria que a pessoa fizesse com você. Escreva também tudo que você quer falar para essa pessoa. Escreva você perdoando. Ao final, você pode rasgar ou queimar a carta, não precisa enviar para ninguém. Libere o perdão. Faça isso por você, pelo seu bem-estar! Decida e escolha ser feliz!

“Falhou tá falhado e não se falha mais nisso”

Com amor, Emanuela.