Psicopedagogia não é só para crianças.


Por Vanessa Barros – psicopedagoga

A psicopedagogia, muitas vezes, é vista numa direção por meio da qual somente são contemplados crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem: engano. Primeiro porque a psicopedagogia não está somente direcionada a crianças e adolescentes. Ela está direcionada também a adultos e estende sua ação tanto para a clínica como para a instituição, na busca do tratamento ou da prevenção das dificuldades de aprendizagem. Segundo porque ela não está somente dirigida a pessoas com dificuldades de aprendizagem, mas também ao processo de aprendizagem com todas as suas nuances, canalizando o seu fazer para o como se aprende, para o sujeito que aprende para a aprendizagem.



A ideia de que a psicopedagogia só trabalha com crianças com dificuldades de aprendizagem é oriunda de um conceito implícito em muitos de nós, consequência da própria origem da psicopedagogia, a qual esteve sempre atrelada à criança e às suas dificuldades de aprendizagem. Posteriormente a ação psicopedagógica foi se incorporando ao atendimento a adolescentes e, enfim, ao adulto.

Quando a psicopedagogia destina-se ao adulto, observa-se com mais clareza que a aprendizagem não acontece somente nas escolas, quando se trabalham conteúdos, teorias, quando se tem um rendimento de aprendizagem a considerar, uma avaliação a fazer, um juízo de valor a elaborar. Em verdade, aprendemos sempre, a cada dia, a cada instante, a vida toda. Não existe lugar, tempo ou idade para se aprender. Em todas as idades, em toda esfera social, nós aprendemos. Aprendemos desde que nascemos e esta aprendizagem começa a se manifestar desde as primeiras relações vinculares entre a mãe e a criança e vai se estendendo pela família, pela comunidade, pela escola até a vida adulta e continua existindo sempre.

O QUE CONSIDERAR NO TRABALHO COM O ADULTO

Como em qualquer trabalho psicopedagógico, temos que levar em consideração uma série de fatores que possam nos conduzir a uma análise mais acurada, a uma avaliação, um diagnóstico e tratamento mais eficazes. Num trabalho com adultos isso não é diferente. Os cuidados serão os mesmos, porém essas considerações são muito específicas por tratar-se de pessoas que já têm uma consciência firmada sobre si mesmo, sobre o que busca, sobre o que quer, tem uma vida relativamente definida, tanto pessoal como profissional.
Dessa forma, temos que levar em consideração:

  • Que o adulto tem consciência do que procura, do que quer, apesar de não ter clareza sobre o que tem;
  • Quando o adulto busca esse tipo de ajuda, ele tem direcionado o desejo de descoberta e de cura;
  • Que ele busca muitas explicações. É uma pessoa que está ávida por esclarecimentos e exige do psicopedagogo elucidações sobre o trabalho que está sendo desenvolvido. Sente a necessidade de entender o que profissional está fazendo, o que ele está fazendo e por quê;
  • Os motivos que o estão levando à procura de um psicopedagogo, investigá-los para direcionar melhor a ação psicopedagógica;
  • O que ele espera desse trabalho psico-pedagógico, quais são os seus anseios com relação ao diagnóstico, ao tratamento.

Como vemos, o trabalho psicopedagógico desenvolvido com adulto tem características muito próprias e complexas, pela sua própria natureza, visto que exige um olhar muito especial, muito próprio, por se tratar de pessoas com posições definidas (não importa que tipo de definição) sobre si mesmo, sobre a vida, sobre suas experiências de vida.

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