28 de setembro de 2018

O que é Regulação Emocional.


Por Isadora Lacerda, psicóloga.

A regulação emocional pode ser entendida como sendo a competência do indivíduo para tomar consciência, identificar, tolerar e responder de forma efetiva à experiência e intensidade das emoções decorrentes de fatores externos (situações) ou internos (pensamentos). Pode ser entendida também como a capacidade de reconhecer as emoções e perceber como cada uma interfere nas ações cotidianas e, assim, lidar com elas de maneira efetiva.



Todos os seres humanos possuem emoções, sendo que algumas são agradáveis — como a alegria e o amor — e outras causam desconforto — como o medo e a raiva. O importante é entender que todas as emoções possuem um papel fundamental na vida das pessoas, comunicando suas necessidades ou motivando a ação.

Em outras palavras, todas as pessoas sentem medo, raiva, vergonha ou ansiedade, a diferença é que indivíduos com sólida REGULAÇÃO EMOCIONAL conseguem administrar essas emoções e canalizá-las para ações positivas e continuar funcionando normalmente.

As nossas experiências emocionais são indispensáveis para a formação da nossa identidade. São elas que nos tornam únicos e nos diferenciam uns dos outros. Por este motivo é importante que estejamos atentos ao reconhecimento destas emoções e, sobretudo, ao que elas nos comunicam, sem julgamento, mas sim com aceitação.

Com carinho,
Isadora Lacerda.

25 de setembro de 2018

Como o cérebro e o intestino se conectam.

Por, Maria Irlan, Nutricionista 

O cérebro e o intestino comunicam-se de forma dinâmica e complexa. O intestino é considerado pela comunidade cientifica como nosso segundo cérebro. Os gastroenterologistas calculam que o intestino tem cerca de 500 milhões de neurônios. Sim, neurônios, as mesmas células que constituem o cérebro!



Os neurônios intestinais também estão encarregados pela produção de cerca 90% de serotonina, molécula que nos leva ao estado de bem-estar e felicidade. Além disso o intestino produz cerca de 80% do potencial de imunidade do corpo humano e é produtor de mais 30 mensageiros químicos. Esses mensageiros são encarregados de transmitir recados de um lado para o outro e estabelecer comunicação eficiente entre o intestino e o cérebro.

Não estamos sozinhos, trilhões de bactérias vivem em perfeita harmonia (ou assim deve ser), protegendo nossa mucosa intestinal, produzindo vitaminas e ácidos graxos e auxiliando na conexão cérebro-intestino. Regulando saúde mental e evitando doenças como: obesidade, doença inflamatória intestinal, síndrome do cólon irritável, alergias e entre outras.

A conexão cérebro-intestino vai muito além, estudos mostram que o estado emocional pode influenciar no funcionamento do intestino. Você já teve prisão de ventre ou diarreia quando estava estressado ou nervoso? Isso acontece porque o intestino tem seu próprio sistema nervoso, que está ligado ao cérebro através de ramificações.

Por isso, quando sentimos alguma emoção forte, podemos ter problema associado ao funcionamento intestinal, como diarreia, constipação, gases, síndrome do intestino irritável, dor abdominal ou até mesmo úlcera. O cérebro e o segundo cérebro estão tão interligados que pessoas com doenças cerebrais, também sofrem de alguma doença no intestino.

A conexão cérebro-intestino mostra que uma mente saudável, necessita de um intestino saudável, sendo assim, cuidados com a saúde intestinal interferem no corpo e na mente. Preste atenção nos sintomas intestinais e suas emoções, para existir saúde plena o intestino tem que funcionar bem!

Abraço, Maria Irlan.

14 de setembro de 2018

Gagueira tem cura?


Por, Marcela Oliveira - fonoaudióloga 
Todos nós, enquanto falantes, podemos apresentar o que chamamos de disfluências comuns na fala. Jornalistas, políticos e grandes comunicadores, não apresentam em seus discursos uma fala 100% fluente. Essas disfluências são o resultado das incertezas linguísticas relacionadas à formulação das frases ou pronúncia das palavras. São vários os fatores que justificam esta ocorrência e envolvem o nível de demanda da linguagem em termos linguísticos e cognitivos para o contexto em que a fala é utilizada, a familiaridade com o assunto tratado e as interrupções e velocidade da conversação do interlocutor.


Além das disfluências comuns, a fala pode ser interrompida pelas disfluências atípicas ou gagas, presentes em pessoas que apresentam a gagueira.
A gagueira é um distúrbio da fluência caracterizado por interrupções no fluxo da fala do indivíduo, impossibilitando, em alguns momentos, a produção da fala contínua, suave e sem esforço. A fluência refere-se à suavidade e à facilidade com que os sons, palavras, sílabas e frases são produzidos durante o processo da fala.
A gagueira apresenta maior prevalência na infância, as suas causas são multifatoriais e estão envolvidas no seu surgimento e permanência. Podemos citar fatores biológicos, psicológicos e sociais, que interagem de forma complexa e relacionam-se de maneira multidimensional, mas que também sofrem interferência do histórico familiar, de fatores ambientais e das capacidades linguísticas e cognitivas do falante.
É verdade que a gagueira tem sua origem na infância, podendo persistir, ou não, até a vida adulta. Grande parte das crianças com gagueira irão se recuperar espontaneamente, porém, é comprovado que a intervenção precoce nesta desordem apresenta resultados melhores e mais rápidos.
Sabemos do impacto que é para um sujeito falante, as interrupções no fluxo da fala. Estes impactos agem negativamente nas relações sociais e de autoimagem.
Trata-se de um distúrbio complexo, mas que TEM TRATAMENTO. O tratamento com o profissional habilitado, o fonoaudiólogo, o empenho do paciente e a avaliação dos fatores de risco aos quais o mesmo é envolvido, podem garantir resultados que alcancem a fluência espontânea, a fluência controlada ou a gagueira aceitável, que envolvem a diminuição gradativa da gravidade do distúrbio.
Em caso de dúvidas, procure ajuda profissional e orientação.
Abraço, Marcela. 

10 de setembro de 2018

Psicopedagogia não é só para crianças.


Por Vanessa Barros – psicopedagoga

A psicopedagogia, muitas vezes, é vista numa direção por meio da qual somente são contemplados crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem: engano. Primeiro porque a psicopedagogia não está somente direcionada a crianças e adolescentes. Ela está direcionada também a adultos e estende sua ação tanto para a clínica como para a instituição, na busca do tratamento ou da prevenção das dificuldades de aprendizagem. Segundo porque ela não está somente dirigida a pessoas com dificuldades de aprendizagem, mas também ao processo de aprendizagem com todas as suas nuances, canalizando o seu fazer para o como se aprende, para o sujeito que aprende para a aprendizagem.



A ideia de que a psicopedagogia só trabalha com crianças com dificuldades de aprendizagem é oriunda de um conceito implícito em muitos de nós, consequência da própria origem da psicopedagogia, a qual esteve sempre atrelada à criança e às suas dificuldades de aprendizagem. Posteriormente a ação psicopedagógica foi se incorporando ao atendimento a adolescentes e, enfim, ao adulto.

Quando a psicopedagogia destina-se ao adulto, observa-se com mais clareza que a aprendizagem não acontece somente nas escolas, quando se trabalham conteúdos, teorias, quando se tem um rendimento de aprendizagem a considerar, uma avaliação a fazer, um juízo de valor a elaborar. Em verdade, aprendemos sempre, a cada dia, a cada instante, a vida toda. Não existe lugar, tempo ou idade para se aprender. Em todas as idades, em toda esfera social, nós aprendemos. Aprendemos desde que nascemos e esta aprendizagem começa a se manifestar desde as primeiras relações vinculares entre a mãe e a criança e vai se estendendo pela família, pela comunidade, pela escola até a vida adulta e continua existindo sempre.

O QUE CONSIDERAR NO TRABALHO COM O ADULTO

Como em qualquer trabalho psicopedagógico, temos que levar em consideração uma série de fatores que possam nos conduzir a uma análise mais acurada, a uma avaliação, um diagnóstico e tratamento mais eficazes. Num trabalho com adultos isso não é diferente. Os cuidados serão os mesmos, porém essas considerações são muito específicas por tratar-se de pessoas que já têm uma consciência firmada sobre si mesmo, sobre o que busca, sobre o que quer, tem uma vida relativamente definida, tanto pessoal como profissional.
Dessa forma, temos que levar em consideração:

  • Que o adulto tem consciência do que procura, do que quer, apesar de não ter clareza sobre o que tem;
  • Quando o adulto busca esse tipo de ajuda, ele tem direcionado o desejo de descoberta e de cura;
  • Que ele busca muitas explicações. É uma pessoa que está ávida por esclarecimentos e exige do psicopedagogo elucidações sobre o trabalho que está sendo desenvolvido. Sente a necessidade de entender o que profissional está fazendo, o que ele está fazendo e por quê;
  • Os motivos que o estão levando à procura de um psicopedagogo, investigá-los para direcionar melhor a ação psicopedagógica;
  • O que ele espera desse trabalho psico-pedagógico, quais são os seus anseios com relação ao diagnóstico, ao tratamento.

Como vemos, o trabalho psicopedagógico desenvolvido com adulto tem características muito próprias e complexas, pela sua própria natureza, visto que exige um olhar muito especial, muito próprio, por se tratar de pessoas com posições definidas (não importa que tipo de definição) sobre si mesmo, sobre a vida, sobre suas experiências de vida.

5 de setembro de 2018

Entenda o que é autoaceitação para florescermos e fortalecermos.


Por, Milena Mendonça – psicóloga

A autoaceitação é a base que nos permite crescer e avançar em direção à felicidade e plenitude. O ponto que nos leva a olhar para nós mesmos e a nos amar como somos.



O que é autoaceitação?

Pensar analiticamente pode ser complicado quando o que temos de enfrentar tem a ver com um autoconhecimento consciente. Na nossa jornada, talvez o nosso maior desafio seja a autoaceitação. Não é fácil ficarmos "nus", quando o observador que atentamente nos observa somos nós mesmos. Aceitar-nos implica desviar-se de todo julgamento para nos tratar com afeição, abraçar nossas partes imperfeitas e mesmo assim reconhecer nosso valor. Significa separar-nos das exigências, ideais, críticas e perfeição para nos amar exatamente como somos.
A autoaceitação implica encontrar a paz interior e se livrar das barreiras psicológicas e sociais que nos impedem de fazê-lo. Tais como rejeição por nossas características físicas ou traços de personalidade. Somos muito mais do que tudo isso, apesar de, as vezes, não acreditarmos nisso. Agora, aceitar a nós mesmos não significa não mudar, evoluir ou melhorar, e sim o oposto. Como o psicólogo Carl Gustav Jung disse: "o que aceitamos nos transforma, sendo a autoaceitação, portanto, o passo anterior para a mudança". Porque se aceitarmos o que somos e o que sentimos em qualquer momento de nossa existência, nos permitimos estar conscientes de nossas escolhas e ações, aprimorando nosso desenvolvimento, nosso florescimento.

O que rejeitamos?

Quando não nos aceitamos até certo ponto, não estamos nos dando permissão para nos vermos. É como se nos colocássemos diante de um espelho e escondêssemos parte do que somos porque não gostamos, ficamos envergonhados ou não o consideramos apropriado. Até mesmo nos maltratamos com comentários depreciativos e críticas destrutivas. Outras vezes, rejeitar significa que nos escondemos sob uma máscara fingindo ser outra pessoa ou que vivemos aguardando a aprovação dos outros. Tendo como consequência nos escravizar a uma imagem que não é nossa que com o passar do tempo gerará um mal-estar ou um grande vazio.
Bem, os outros não nos conhecem e tudo o que eles sentem é direcionado para o personagem que interpretamos. Todos nós cometemos erros, temos peças que não se encaixam e feridas, mas é um erro nos maltratarmos porque não somos perfeitos. Perdoar-nos nos liberta e nos permite começar a nos amar incondicionalmente.

Como florescer e aceitar nós mesmos?

Perdoar as pessoas ao nosso redor pode ser complicado, mas quando se trata de nós mesmos é ainda mais difícil. Como nos perdoar e aceitar-nos incondicionalmente e sem reservas? É verdade que nossos medos, inseguranças e reprovações não desaparecerão, mas, sendo duros com nós mesmos, não avançamos.

A questão é aceitá-los para nos conhecer e tratar com carinho. Nossas imperfeições também têm sua beleza. Não somos partes, somos uma soma, um todo! Por outro lado, é importante que cultivemos um bom relacionamento com a incerteza, com a impermanência, a fim de converter cada experiência em um novo aprendizado e não ficar preso em nossa zona de conforto. Também devemos abandonar esse hábito de nos compararmos com os outros, é uma prática injusta porque cada um de nós tem sua própria história.

Finalmente, não vamos esquecer que nos maltratar não é a opção, mas olhar para nós mesmos com a máxima sinceridade para nos conhecermos, porque, se praticarmos a autoaceitação, nossa autoestima será aumentada e nos relacionaremos com autenticidade com os outros. Livre de máscaras, censuras e medos. Livres, plenos e felizes com nós mesmos e em consequência com os outros. Aceite-se! E vamos florescer!