17 de agosto de 2018

O que são hábitos orais deletérios?


Por, Marcela Oliveira - fonoaudióloga 

 “Chupar dedo”, roer as unhas e respirar pela boca. O que isso tem em comum?
Esses são apenas alguns exemplos de “Hábitos Orais Deletérios”, muito comuns na população, principalmente na infância e que trazem inúmeras consequências ao longo do desenvolvimento até a fase adulta.



Mas afinal, o que são hábitos orais deletérios?

São padrões anormais e habituais de contração muscular que podem interferir no crescimento craniofacial e no desempenho de suas funções e, tornam-se prejudiciais devido a sua repetição, geralmente associada a uma sensação de prazer, a fatores culturais e ao uso de hábitos pela família, que contribuem para a sua implantação e manutenção.

Os principais “Hábitos Orais Deletérios” são:

  • Sucção não nutritiva, que incluem a sucção digital (chupar o dedo) e o uso da chupeta;
  • Sucção nutritiva artificial, representado pelo uso da mamadeira;
  • Onicofagia (roer a unha), o bruxismo (ranger os dentes) e morder objetos;
  • Hábitos funcionais, que são a deglutição atípica (engolir com língua entre os dentes, por exemplo), respiração oral e alterações na fala. Lembrando que estes, geralmente são consequência da manutenção de algum outro hábito anterior.




Estes hábitos podem comprometer o equilíbrio orofacial e produzir alterações nas funções de falar, mastigar, sugar, deglutir e respirar. Contudo, é preciso levar em consideração três fatores envolvidos na sua manutenção: intensidade, frequência e duração.
Apesar de parecerem inofensivos, os hábitos podem ocasionar diversos comprometimentos como: alterações na oclusão dentária, respiração oral, interposição lingual (língua entre os dentes), alterações na tonicidade e mobilidade das estruturas orofaciais (que incluem bochechas, lábios, língua), mastigação imatura, entre outros. Estes, nada mais são do que o reflexo da manutenção dos hábitos na estrutura orofacial e as suas respectivas funções.

O ideal é que os hábitos sejam eliminados o mais precocemente possível. A efetividade desse resultado depende da investigação sobre a sua origem, as circunstâncias sob as quais o hábito foi desenvolvido e os fatores psicoemocionais envolvidos. A intervenção profissional se faz necessária e a parceria positiva da família, garantem o sucesso.
Não há proibição ou permissividade, regras ou tolerância, se há a utilização, esta precisa ser consciente e monitorada.
Em caso de dúvidas, procure ajuda profissional e orientação.

Abraço, Marcela. 


15 de agosto de 2018

O que é Dependência Tecnológica


Por Isadora Lacerda – Psicóloga

Os vícios, ou hábitos repetitivos que degeneram ou prejudicam o viciado e os que o cercam, acompanham o ser humano desde seu surgimento e ao longo de sua evolução. De acordo com o momento histórico da humanidade os vícios também se transformaram: substâncias e hábitos ligados à natureza evoluíram para substâncias e hábitos ligados ao consumo e ao conhecimento industrial e tecnológico.



Drogas sintéticas disputam espaço com drogas derivadas da coca e do ópio. A dependência em álcool coexiste com o consumo descontrolado de bens materiais.

Nesse panorama, que acompanha a popularidade de tecnologias digitais, enfrentamos agora
os prejuízos e quadros de dependência que elas podem ocasionar e que configuram um “novo” vício: a nomofobia ou dependência digital.

A nomofobia caracteriza-se pela ansiedade que resulta da “incapacidade de comunicação” na ausência de aparelhos celulares e computadores.

Essa incapacidade de comunicação geralmente se traduz pela restrição ao acesso a redes sociais, a jogos eletrônicos on-line ou mesmo ao consumo de notícias e informações via internet. Mesmo algo que, em princípio é algo extremamente positivo, como o hábito de leitura, pode se transformar em uma camisa de força caso esse mesmo hábito fique preso ao uso de e-readers que necessitem de conexão à internet para funcionar.

Como resultado da dependência, a pessoa que sofre de nomofobia, quando não está conectada, frequentemente:


  • Tem seus momentos de prazer comprometidos;
  • Não aproveita a realização de atividades e interação em eventos sociais;
  • Apresenta baixo desempenho em tarefas do cotidiano (escolares e profissionais);
  • Apresenta prejuízos físicos ligados ao prolongado sedentarismo. 



Situações como essas podem gerar prejuízos psicológicos (baixa autoestima, depressão e fobias sociais) e sociais (solidão e isolamento).

A dependência, entretanto, pode ser tratada de psicoterapia, podendo necessitar de suporte medicamentoso e de algumas modificações no dia-a-dia, como estipular tempo para o uso da internet e habituar-se a desligar celulares e computadores em determinados períodos do dia.

13 de agosto de 2018

O uso da tecnologia e os processos de aprendizagem.


Por, Vanessa Barros - psicopedagoga 

A sociedade atual advém da revolução tecnológica e seu desenvolvimento na produção e na área da informação, gerando predicados passíveis de assegurar à educação uma autonomia ainda inalcançada. Isto se dá à medida que o desenvolvimento das competências cognitivas e culturais determinadas para o pleno desenvolvimento humano passa a se ajustar com o que se espera no âmbito da produção.





Consideramos que as transformações provocadas pelo uso do computador como ferramenta para o ensino é um recurso pedagógico muito importante que coloca desafios na apropriação do conhecimento e redefinições do papel dos professores nesse novo contexto.


É impossível não aceitar a importância das constantes transformações pelas quais o mundo vem passando. Como educadores e indivíduos temos a necessidade de nos adaptarmos a essas inovações, tentando compreendê-las, incorporá-las, socializando experiências e introduzindo essas transformações, no âmbito educacional de modo a contribuir na melhoria da qualidade dos processos de ensino aprendizagem e práticas docentes.

Observamos que um novo modelo pedagógico, portanto apareceria com a ocorrência dessas transformações pelo qual o discente estaria desenvolvendo suas capacidades as quais anteriormente era posta de lado pelo método tradicional de ensino, sem recursos de aprendizagem que realmente contribuísse no desenvolvimento de autonomia das crianças, sendo que o avanço de capacidade de raciocínio e criatividade provavelmente seria mais forte por meio da intensidade das possibilidades oferecidas pelos recursos tecnológicos.


A aprendizagem deve estar aliada a construção de novos conhecimentos e a construção do processo de aprendizagem que ocorre nesta relação, já que o indivíduo ensina e constrói conhecimento.


As tecnologias usadas nas escolas devem ser educacionais comunicativas e informativas e não apenas alfabetizadora na qual o indivíduo aprende a linguagem básica do micro e o processo finda-se por si só. É preciso despertar a preocupação em relação à maneira pela qual vem sendo inserida nas instituições educacionais, as novas tecnologias, e como esta vem sendo trabalhada.

Enfim, o uso de novas tecnologias digitais pode incrementar as relações entre educadores e crianças, política e educação, colaboram para que se adquira conhecimento como imprescindível fator de melhoria social, propiciando expressões multiculturais e integração universal dos sujeitos. A linguagem padrão e protocolos da Internet possibilitam misturar e manifestar cultural e socialmente os fundamentos da tecnologia de ponta. Assim sendo, a inclusão digital passa a ser ferramenta eficaz para aumentar o letramento dos indivíduos, estimular a auto-estima em relação aos aspectos culturais inerentes às técnicas, tempo, espaço, razão e emoção.



 TECNOLOGIA  X  APRENDIZAGEM

O uso precoce e excessivo da tecnologia é um fenômeno recente no cenário da infância, entretanto especialistas em Primeira Infância já começam a identificar impactos e repercussões sobre a dinâmica familiar, desenvolvimento, comportamento e aprendizado infantil.
Para uma criança conhecer o mundo e se desenvolver, sua motricidade precisa estar engajada nesse projeto: de modo concreto, implica deslocamentos, movimentações, coordenações sensoriais, manipulações. É a inteligência sensório-motora. Até 2 anos, a pura imagem, além de não lhe ensinar nada, dificulta-lhe a aprendizagem quando economiza ou evita o engajamento do corpo no projeto de conhecer o mundo, começar a movimentar o corpo, engatinhar, andar, tocar objetos e alcançar com suas pernas e braços o mundo ao redor.
Para um corpo sentir e o psiquismo poder representar o mundo que entra pelas sensações, é preciso que todas as sensações (visão, audição, olfato, paladar, vestibular, propriocepção, tato) sejam percebidas, organizadas e interpretadas. Se a visão e a audição, se sobrepõem às demais, haverá um processamento deficitário e que poderá desenvolver sérios problemas para integrar todas essas sensações, e portanto, dificuldades em se desenvolver de modo integral, a seguir.
Os hábitos familiares ligados aos aspectos cotidianos como dormir, comer, passear, estão sofrendo modificações a partir do uso das mídias digitais. A cena de encontrar em restaurantes as crianças com um tablet ou celular, ambos usados como entretenimento na hora da refeição, ou mesmo sendo usados quando os pais se deslocam no trânsito para que a criança não tenha qualquer incômodo, são alguns exemplos do que estamos vendo atualmente.
Em relação à alimentação, sem sentir fome ou saciedade, os alimentos penetram na boca da criança sem que o gosto, o sabor, o cheiro, o olhar, as pausas, as conversas ocorram e sem desejos ou vontades, como se tudo fosse no “automático” ou com distorções de imagens dos alimentos vistos nas telas.
A criança vidrada na tela durante esses acontecimentos cotidianos, faz com que não haja espaço entre a demanda e a satisfação, portanto, também para desenvolver a criatividade nesse espaço, o que fazer nesse momento de espera?, consequentemente, nessa impossibilidade de administrar o tempo e as realidades à volta, ocorrem desequilíbrios entre as frustrações e a tolerância necessária que as relações exigem, tanto com o “outro” e consigo mesma. A dica é: MODERAÇÃO.

10 de agosto de 2018

Mindful eating. O que é comer Comer Consciente?


Por Maria Irlan - Nutricionista 

Mindfulness ou Atenção Plena é uma técnica que consiste em focar toda a atenção ao momento presente e pode ser utilizada por qualquer pessoa, independentemente de sua religião, cultura ou crença.

Mindful Eating (comer consciente) é a prática do Mindfulness no ato de comer, um caminho para se sentir bem enquanto constrói um relacionamento mais saudável com a comida. O objetivo é dá instrumentos para entrar em uma jornada de autoconhecimento e revisar hábitos alimentares.





Mindful Eating tem sido utilizada em problemas de comportamento alimentar como a obesidade, anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Foi recomendada pelo Dietary Guidelines Advisory Committee ao governo americano como uma das melhores formas de controle de peso.
  
Abaixo citamos algumas características de comportamento diante de uma alimentação realizada de maneira consciente ou quando entramos no modo automático. 

COMER DE FORMA CONSCIENTE 


  • Estar sintonizado com a experiência de comer, atento aos 5 sentidos.
  • Estar atento às pistas de fome e saciedade.
  • Sentir e saborear a comida, prová-la verdadeiramente.
  • Prestar atenção ao processo de comer.
  • Observar os seus gatilhos emocionais: as emoções que o fazem comer mais ou menos.
  • Satisfazer a fome de forma adequada.
  • Adaptar uma atitude Mindful enquanto come,aceitando a experiência sem julgar a si mesmo.
  • Tomar consciência de suas escolhas alimentares. 
  • Observar os pensamentos que estão relacionados com a comida que foi ingerida ou vai ingeri. 
  • Deixar fluir pensamentos críticos e conectar-se cada vez mais no momento presente. 
  • Observar as emoções sentidas antes e depois de comer. 
  • Demonstrar compaixão e aceitação por si próprio e pelos outros. 


COMER DE FORMA AUTOMÁTICA 

  • Comer de forma inconsciente.
  • Alimenta-se de forma rotineira e sempre da mesma maneira. 
  • Realizar outras tarefas no mesmo momento em que está comendo.
  • Pular refeições.
  • Ignorar as pistas fisiológicas da fome.
  • Continuar a comer apesar de se sentir saciado. 
  • Comer para obter conforto ou acalmar algum desconforto emocional. 
  • Comer como se estivesse distraído da realidade ou perdido em seus pensamentos. 
  • Acreditar que tem pouco ou nenhum controle sobre sua alimentação. 
  • Permitir que a "rotina" ou a "não rotina" ditem seus hábitos alimentares. 
*Traduzido e adaptado de Eating mindfully, por Susan Albers.


Experimente comer de forma consciente, essa técnica vai além de controlar problemas relacionados com o comportamento alimentar e o peso. Os seus benefícios melhoram a qualidade de vida de todas as pessoas.


Abraço, Maria Irlan.

6 de agosto de 2018

O que é vício? Você acha que é a droga que vicia? Vamos refletir sobre isso.

por, Milena Mendonça - psicóloga


Pode começar como uma brincadeira, um desafio ou simplesmente uma experiência nova. Qualquer que seja a substância ou atividade, a freqüência e a maneira como você se relaciona com isso é que determina se você tem um vício ou não. Cair em um vício tem consequências muito negativas no corpo. E sobretudo, no órgão mais importante de todos: o cérebro.



Qualquer vício pode se tornar um inimigo perigoso. Nenhuma pessoa está isenta. No entanto, nem todos ficarão viciados. Então, o que é vício?

Considera-se que uma pessoa é viciada quando uma dependência psicológica se desenvolve, isto é, com respeito a um comportamento repetitivo e compulsivo a uma substância ou um hábito. Dependência psicológica e física coexistem - que é a resposta do corpo a essa substância.

Em si, a definição de dependência se aplica à compulsão e à repetição do uso de álcool, nicotina, drogas opiáceas como heroína, cocaína e outros estimulantes. Mas e o jogo, o sexo, compras, até os videogames e a internet?

Muitas pessoas embarcam nesses comportamentos a ponto de torná-los perigosos para si mesmos - e para suas famílias.

Então, proponho uma mudança na narrativa do que definimos como vícios e por que devemos combater os excessos e viver com equilíbrio. Quando nos perguntamos o que causa o vício, a resposta parece óbvia: drogas. Mas isso não é tão simples. Uma pesquisa super interessante fala sobre isso: Colocou-se um rato em uma gaiola com duas garrafas de água. Uma garrafa só com água. E a outra com heroína ou cocaína diluída. Quase toda vez que fizeram esse experimento, o rato fica obcecado pela água com a substância e continua com esse comportamento, consumindo compulsivamente a droga, até morrer. Daí a resposta fica óbvia: "Uma única droga é tão viciante que nove em cada 10 ratos de laboratório irão consumi-la, mais e mais, até a morte, ela é chamada de cocaína, e pode fazer o mesmo com você.” Certo? Errado.

Explico: Esse experimento, tem uma falha importante. E é que o rato está sozinho na gaiola, ou seja, o ambiente e seu nível de conexão com ele é subtraído; a droga é colocada em um monocentrismo, sem o "mundo". Então pesquisadores refizeram esse experimento, construindo um parque para ratos (Rat Park).

Que seria uma gaiola divertida em que os ratos tinham brinquedos coloridos, a melhor comida para ratos e principalmente muitos amigos: tudo o que um rato desejaria.

Este "Rat Park" obviamente tentou imitar um ambiente rico e estimulante (o entorno de uma sociedade e uma cidade saudável). Os resultados mostraram, que os ratos inseridos neste ambiente mais positivo "Em geral, eles evitaram beber a água com a droga e consumiram menos de 1/4 das drogas tomadas pelos ratos isolados." Nenhum morreu. Enquanto os ratos solitários tornaram-se adictos, isso não aconteceu com qualquer um daqueles ratinhos que viviam em um ambiente feliz.
No caso dos seres humanos, consumir uma droga em um contexto de isolamento físico e/ou emocional não parece ser uma causa da dependência.

Milhares de pessoas consomem morfina no hospital e depois saem para a rua, voltam aos seus empregos e às suas famílias e não sentem a necessidade de consumir a droga. Muitos pacientes até tomam opióides por meses e conseguem parar essas drogas sem passar por um estágio de dependência e depressão.

Assim, chegamos à ideia de que o que causa o vício é a falta de conexões humanas profundas e significativas (não as superficiais conexões que vivemos nas redes sociais). As drogas substituem essas conexões e essa falta de vida com significado. O professor e sociólogo Peter Cohen propõe inclusive mudarmos o termo "vício" para falarmos de "apego".


Portanto se você mudar a gaiola (leia-se a mente), então as drogas que o tornam tão dependente não terão mais esse efeito. Vejo no consultório que a maioria dos problemas de saúde são problemas de uma vida sem significado, significado que damos aos outros, às pessoas que amamos, ao mundo que vivemos ou a nossos propósitos de vida. Resignificando a nossa mente, nossos hábitos e nossas vidas, cuidamos da gente e transformamos o nosso mundo.