17 de março de 2018

A Saúde Mental da Mulher

Por: Milena Mendonça, psicóloga.

Apesar dos fatores genéticos ou hormonais influenciarem, especialistas consideram que os fatores sociais, como sobrecarga de trabalho, pressões sociais estéticas, viver em situações de violência psicológica ou física, que predispõe o desenvolvimento de transtornos como depressão, ansiedade e transtornos alimentares que estão entre os mais comuns na população feminina.

Como é ser mulher hoje em dia?

Ha poucas décadas, nosso trabalho era somente cuidar da família, atualmente cuidamos da família além de trabalharmos fora de casa também. Porém, alguns homens, seguem trabalhando fora de casa sem compartilhar com a companheira as atividades domesticas. Cenário que felizmente está mudando, mas ainda é muito comum. Portanto, para algumas mulheres, que são sobrecarregadas com essa dupla jornada, sem ajuda do companheiro, vivenciam em sua rotina um maior número de acontecimentos estressantes, o que justifica que o índice de transtornos mentais sejam mais elevados entre as mulheres que nos homens.
Como ser uma mulher feliz?

O atual dilema é que, se as mulheres não estão de acordo com o tradicional papel subordinado de esposa e mãe, estão competindo com homens em ambientes de trabalho masculinizados. Se elas optarem pelo desenvolvimento de uma profissão e maternidade, elas devem decidir por duas funções difíceis de conciliar que irão gerar insatisfações e conflitos pessoais.
É necessário ter um projeto de sua própria vida que não se baseie nas pessoas ao seu redor. Não só ser "filha de ...", "esposa de ..." ou "mãe de ...", mas ter motivações, tempo para se relacionar e poder tomar decisões para se sentir satisfeita e plena.

Defina um cronograma para o trabalho doméstico, para ter tempo para realizar atividades, treinar, interagir, se divertir. E divida essas tarefas da casa e responsabilidade com a família com seu companheiro, afinal a responsabilidade é dos dois! Se não conseguir isso através de um dialogo amigável, tente a ajuda profissional, a psicoterapia aumentará sua autoconfiança e ajudará a resolver esses dilemas e pontos de conflito.

4 de março de 2018

A Volta ao Trabalho após a Maternidade

O desafio que as mulheres encontram para voltar a trabalhar depois de ter filho.

Por: Milena Mendonça - Psicóloga

A maioria das mães replanejam o retorno ao trabalho após o nascimento do bebê. Analisam as vantagens e desvantagens antes de tomar uma decisão. Algumas optam por voltar ao antigo trabalho, outras procurar um novo emprego, outras a ficarem em casa cuidando do filho. Porém, a maioria não têm possibilidade de escolha, devido questões econômicas, e então o retorno ao trabalho se torna um motivo de tristeza, angustia e ansiedade.


As dúvidas sobre voltar ao trabalho surgem devido questões de: precariedade laboral, por não saber com quem deixar o bebê, ou até por querer se dedicar ao seu novo papel de mãe. Se bem que para a mulher atualmente, é extremamente importante poder se desenvolver profissionalmente e ter independência financeira, porém quando nasce seu primeiro filho, tudo isso passa a ser questionado, já que essa mãe descobre o amor materno e os cuidados e demandas que o recém-nascido necessita.

O que se opõe totalmente com o ambiente do trabalho, onde exista um clima competitivo, com jornadas extensas e inflexibilidade. Então, todas essas problemáticas são incompatíveis com o clima de cuidado que o bebê precisa. Pressão esta sentida pelas récem-mães, não pelos récem-pais devido as cobranças e pressão social que infelizmente só as mulheres recebem. O mercado é exigente, pouco favorecedor e pouco flexível com as mães recentes. Algumas além de tudo, também têm toda a responsabilidade do cuidado da casa somente com elas e não dividido com o cônjuge, o que torna ainda mais difícil conciliar a volta ao trabalho e a maternidade.

É importante lembrar que os filhos são de fato dádivas e devem ser priorizados, porém crescem e desenvolvem sua própria vida. O trabalho também é importante na atualidade, já que é escasso, dá autonomia, independência econômica e ajuda na socialização.

Imagine passar 2 anos, ou até mais, se dedicando exclusivamente ao filho, vivendo somente cuidando dele, com o tempo isso também vai ser sentido como um sofrimento. É saudável desapegar-se algumas horas para se dedicar a outras atividades, como trabalhar, por exemplo.

Portanto, cada mulher deverá fazer um balanço e encontrar seu próprio equilíbrio, com base em suas experiências e possibilidades, buscando ter plenitude, tempo e condições econômicas. Essa tomada de decisão pode ser penosa e por isso, pode ser trabalhada em terapia, especialmente quando a angústia e/ou ansiedade é muito forte e dificulta a tomada de decisão. É importante ter em mente, que não se pode ter tudo! E que para ganhar, tem que saber perder. A mãe tem que elaborar que será uma melhor mãe se sentindo satisfeita e realizada pessoalmente. Antes da chegada dos filhos existia uma vida: a própria. E cedo ou tarde, é necessário recuperá-la.