14 de setembro de 2018

Gagueira tem cura?


Por, Marcela Oliveira - fonoaudióloga 
Todos nós, enquanto falantes, podemos apresentar o que chamamos de disfluências comuns na fala. Jornalistas, políticos e grandes comunicadores, não apresentam em seus discursos uma fala 100% fluente. Essas disfluências são o resultado das incertezas linguísticas relacionadas à formulação das frases ou pronúncia das palavras. São vários os fatores que justificam esta ocorrência e envolvem o nível de demanda da linguagem em termos linguísticos e cognitivos para o contexto em que a fala é utilizada, a familiaridade com o assunto tratado e as interrupções e velocidade da conversação do interlocutor.


Além das disfluências comuns, a fala pode ser interrompida pelas disfluências atípicas ou gagas, presentes em pessoas que apresentam a gagueira.
A gagueira é um distúrbio da fluência caracterizado por interrupções no fluxo da fala do indivíduo, impossibilitando, em alguns momentos, a produção da fala contínua, suave e sem esforço. A fluência refere-se à suavidade e à facilidade com que os sons, palavras, sílabas e frases são produzidos durante o processo da fala.
A gagueira apresenta maior prevalência na infância, as suas causas são multifatoriais e estão envolvidas no seu surgimento e permanência. Podemos citar fatores biológicos, psicológicos e sociais, que interagem de forma complexa e relacionam-se de maneira multidimensional, mas que também sofrem interferência do histórico familiar, de fatores ambientais e das capacidades linguísticas e cognitivas do falante.
É verdade que a gagueira tem sua origem na infância, podendo persistir, ou não, até a vida adulta. Grande parte das crianças com gagueira irão se recuperar espontaneamente, porém, é comprovado que a intervenção precoce nesta desordem apresenta resultados melhores e mais rápidos.
Sabemos do impacto que é para um sujeito falante, as interrupções no fluxo da fala. Estes impactos agem negativamente nas relações sociais e de autoimagem.
Trata-se de um distúrbio complexo, mas que TEM TRATAMENTO. O tratamento com o profissional habilitado, o fonoaudiólogo, o empenho do paciente e a avaliação dos fatores de risco aos quais o mesmo é envolvido, podem garantir resultados que alcancem a fluência espontânea, a fluência controlada ou a gagueira aceitável, que envolvem a diminuição gradativa da gravidade do distúrbio.
Em caso de dúvidas, procure ajuda profissional e orientação.
Abraço, Marcela. 

10 de setembro de 2018

Psicopedagogia não é só para crianças.


Por Vanessa Barros – psicopedagoga

A psicopedagogia, muitas vezes, é vista numa direção por meio da qual somente são contemplados crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem: engano. Primeiro porque a psicopedagogia não está somente direcionada a crianças e adolescentes. Ela está direcionada também a adultos e estende sua ação tanto para a clínica como para a instituição, na busca do tratamento ou da prevenção das dificuldades de aprendizagem. Segundo porque ela não está somente dirigida a pessoas com dificuldades de aprendizagem, mas também ao processo de aprendizagem com todas as suas nuances, canalizando o seu fazer para o como se aprende, para o sujeito que aprende para a aprendizagem.



A ideia de que a psicopedagogia só trabalha com crianças com dificuldades de aprendizagem é oriunda de um conceito implícito em muitos de nós, consequência da própria origem da psicopedagogia, a qual esteve sempre atrelada à criança e às suas dificuldades de aprendizagem. Posteriormente a ação psicopedagógica foi se incorporando ao atendimento a adolescentes e, enfim, ao adulto.

Quando a psicopedagogia destina-se ao adulto, observa-se com mais clareza que a aprendizagem não acontece somente nas escolas, quando se trabalham conteúdos, teorias, quando se tem um rendimento de aprendizagem a considerar, uma avaliação a fazer, um juízo de valor a elaborar. Em verdade, aprendemos sempre, a cada dia, a cada instante, a vida toda. Não existe lugar, tempo ou idade para se aprender. Em todas as idades, em toda esfera social, nós aprendemos. Aprendemos desde que nascemos e esta aprendizagem começa a se manifestar desde as primeiras relações vinculares entre a mãe e a criança e vai se estendendo pela família, pela comunidade, pela escola até a vida adulta e continua existindo sempre.

O QUE CONSIDERAR NO TRABALHO COM O ADULTO

Como em qualquer trabalho psicopedagógico, temos que levar em consideração uma série de fatores que possam nos conduzir a uma análise mais acurada, a uma avaliação, um diagnóstico e tratamento mais eficazes. Num trabalho com adultos isso não é diferente. Os cuidados serão os mesmos, porém essas considerações são muito específicas por tratar-se de pessoas que já têm uma consciência firmada sobre si mesmo, sobre o que busca, sobre o que quer, tem uma vida relativamente definida, tanto pessoal como profissional.
Dessa forma, temos que levar em consideração:

  • Que o adulto tem consciência do que procura, do que quer, apesar de não ter clareza sobre o que tem;
  • Quando o adulto busca esse tipo de ajuda, ele tem direcionado o desejo de descoberta e de cura;
  • Que ele busca muitas explicações. É uma pessoa que está ávida por esclarecimentos e exige do psicopedagogo elucidações sobre o trabalho que está sendo desenvolvido. Sente a necessidade de entender o que profissional está fazendo, o que ele está fazendo e por quê;
  • Os motivos que o estão levando à procura de um psicopedagogo, investigá-los para direcionar melhor a ação psicopedagógica;
  • O que ele espera desse trabalho psico-pedagógico, quais são os seus anseios com relação ao diagnóstico, ao tratamento.

Como vemos, o trabalho psicopedagógico desenvolvido com adulto tem características muito próprias e complexas, pela sua própria natureza, visto que exige um olhar muito especial, muito próprio, por se tratar de pessoas com posições definidas (não importa que tipo de definição) sobre si mesmo, sobre a vida, sobre suas experiências de vida.

5 de setembro de 2018

Entenda o que é autoaceitação para florescermos e fortalecermos.


Por, Milena Mendonça – psicóloga

A autoaceitação é a base que nos permite crescer e avançar em direção à felicidade e plenitude. O ponto que nos leva a olhar para nós mesmos e a nos amar como somos.



O que é autoaceitação?

Pensar analiticamente pode ser complicado quando o que temos de enfrentar tem a ver com um autoconhecimento consciente. Na nossa jornada, talvez o nosso maior desafio seja a autoaceitação. Não é fácil ficarmos "nus", quando o observador que atentamente nos observa somos nós mesmos. Aceitar-nos implica desviar-se de todo julgamento para nos tratar com afeição, abraçar nossas partes imperfeitas e mesmo assim reconhecer nosso valor. Significa separar-nos das exigências, ideais, críticas e perfeição para nos amar exatamente como somos.
A autoaceitação implica encontrar a paz interior e se livrar das barreiras psicológicas e sociais que nos impedem de fazê-lo. Tais como rejeição por nossas características físicas ou traços de personalidade. Somos muito mais do que tudo isso, apesar de, as vezes, não acreditarmos nisso. Agora, aceitar a nós mesmos não significa não mudar, evoluir ou melhorar, e sim o oposto. Como o psicólogo Carl Gustav Jung disse: "o que aceitamos nos transforma, sendo a autoaceitação, portanto, o passo anterior para a mudança". Porque se aceitarmos o que somos e o que sentimos em qualquer momento de nossa existência, nos permitimos estar conscientes de nossas escolhas e ações, aprimorando nosso desenvolvimento, nosso florescimento.

O que rejeitamos?

Quando não nos aceitamos até certo ponto, não estamos nos dando permissão para nos vermos. É como se nos colocássemos diante de um espelho e escondêssemos parte do que somos porque não gostamos, ficamos envergonhados ou não o consideramos apropriado. Até mesmo nos maltratamos com comentários depreciativos e críticas destrutivas. Outras vezes, rejeitar significa que nos escondemos sob uma máscara fingindo ser outra pessoa ou que vivemos aguardando a aprovação dos outros. Tendo como consequência nos escravizar a uma imagem que não é nossa que com o passar do tempo gerará um mal-estar ou um grande vazio.
Bem, os outros não nos conhecem e tudo o que eles sentem é direcionado para o personagem que interpretamos. Todos nós cometemos erros, temos peças que não se encaixam e feridas, mas é um erro nos maltratarmos porque não somos perfeitos. Perdoar-nos nos liberta e nos permite começar a nos amar incondicionalmente.

Como florescer e aceitar nós mesmos?

Perdoar as pessoas ao nosso redor pode ser complicado, mas quando se trata de nós mesmos é ainda mais difícil. Como nos perdoar e aceitar-nos incondicionalmente e sem reservas? É verdade que nossos medos, inseguranças e reprovações não desaparecerão, mas, sendo duros com nós mesmos, não avançamos.

A questão é aceitá-los para nos conhecer e tratar com carinho. Nossas imperfeições também têm sua beleza. Não somos partes, somos uma soma, um todo! Por outro lado, é importante que cultivemos um bom relacionamento com a incerteza, com a impermanência, a fim de converter cada experiência em um novo aprendizado e não ficar preso em nossa zona de conforto. Também devemos abandonar esse hábito de nos compararmos com os outros, é uma prática injusta porque cada um de nós tem sua própria história.

Finalmente, não vamos esquecer que nos maltratar não é a opção, mas olhar para nós mesmos com a máxima sinceridade para nos conhecermos, porque, se praticarmos a autoaceitação, nossa autoestima será aumentada e nos relacionaremos com autenticidade com os outros. Livre de máscaras, censuras e medos. Livres, plenos e felizes com nós mesmos e em consequência com os outros. Aceite-se! E vamos florescer!

17 de agosto de 2018

O que são hábitos orais deletérios?


Por, Marcela Oliveira - fonoaudióloga 

 “Chupar dedo”, roer as unhas e respirar pela boca. O que isso tem em comum?
Esses são apenas alguns exemplos de “Hábitos Orais Deletérios”, muito comuns na população, principalmente na infância e que trazem inúmeras consequências ao longo do desenvolvimento até a fase adulta.



Mas afinal, o que são hábitos orais deletérios?

São padrões anormais e habituais de contração muscular que podem interferir no crescimento craniofacial e no desempenho de suas funções e, tornam-se prejudiciais devido a sua repetição, geralmente associada a uma sensação de prazer, a fatores culturais e ao uso de hábitos pela família, que contribuem para a sua implantação e manutenção.

Os principais “Hábitos Orais Deletérios” são:

  • Sucção não nutritiva, que incluem a sucção digital (chupar o dedo) e o uso da chupeta;
  • Sucção nutritiva artificial, representado pelo uso da mamadeira;
  • Onicofagia (roer a unha), o bruxismo (ranger os dentes) e morder objetos;
  • Hábitos funcionais, que são a deglutição atípica (engolir com língua entre os dentes, por exemplo), respiração oral e alterações na fala. Lembrando que estes, geralmente são consequência da manutenção de algum outro hábito anterior.




Estes hábitos podem comprometer o equilíbrio orofacial e produzir alterações nas funções de falar, mastigar, sugar, deglutir e respirar. Contudo, é preciso levar em consideração três fatores envolvidos na sua manutenção: intensidade, frequência e duração.
Apesar de parecerem inofensivos, os hábitos podem ocasionar diversos comprometimentos como: alterações na oclusão dentária, respiração oral, interposição lingual (língua entre os dentes), alterações na tonicidade e mobilidade das estruturas orofaciais (que incluem bochechas, lábios, língua), mastigação imatura, entre outros. Estes, nada mais são do que o reflexo da manutenção dos hábitos na estrutura orofacial e as suas respectivas funções.

O ideal é que os hábitos sejam eliminados o mais precocemente possível. A efetividade desse resultado depende da investigação sobre a sua origem, as circunstâncias sob as quais o hábito foi desenvolvido e os fatores psicoemocionais envolvidos. A intervenção profissional se faz necessária e a parceria positiva da família, garantem o sucesso.
Não há proibição ou permissividade, regras ou tolerância, se há a utilização, esta precisa ser consciente e monitorada.
Em caso de dúvidas, procure ajuda profissional e orientação.

Abraço, Marcela. 


15 de agosto de 2018

O que é Dependência Tecnológica


Por Isadora Lacerda – Psicóloga

Os vícios, ou hábitos repetitivos que degeneram ou prejudicam o viciado e os que o cercam, acompanham o ser humano desde seu surgimento e ao longo de sua evolução. De acordo com o momento histórico da humanidade os vícios também se transformaram: substâncias e hábitos ligados à natureza evoluíram para substâncias e hábitos ligados ao consumo e ao conhecimento industrial e tecnológico.



Drogas sintéticas disputam espaço com drogas derivadas da coca e do ópio. A dependência em álcool coexiste com o consumo descontrolado de bens materiais.

Nesse panorama, que acompanha a popularidade de tecnologias digitais, enfrentamos agora
os prejuízos e quadros de dependência que elas podem ocasionar e que configuram um “novo” vício: a nomofobia ou dependência digital.

A nomofobia caracteriza-se pela ansiedade que resulta da “incapacidade de comunicação” na ausência de aparelhos celulares e computadores.

Essa incapacidade de comunicação geralmente se traduz pela restrição ao acesso a redes sociais, a jogos eletrônicos on-line ou mesmo ao consumo de notícias e informações via internet. Mesmo algo que, em princípio é algo extremamente positivo, como o hábito de leitura, pode se transformar em uma camisa de força caso esse mesmo hábito fique preso ao uso de e-readers que necessitem de conexão à internet para funcionar.

Como resultado da dependência, a pessoa que sofre de nomofobia, quando não está conectada, frequentemente:


  • Tem seus momentos de prazer comprometidos;
  • Não aproveita a realização de atividades e interação em eventos sociais;
  • Apresenta baixo desempenho em tarefas do cotidiano (escolares e profissionais);
  • Apresenta prejuízos físicos ligados ao prolongado sedentarismo. 



Situações como essas podem gerar prejuízos psicológicos (baixa autoestima, depressão e fobias sociais) e sociais (solidão e isolamento).

A dependência, entretanto, pode ser tratada de psicoterapia, podendo necessitar de suporte medicamentoso e de algumas modificações no dia-a-dia, como estipular tempo para o uso da internet e habituar-se a desligar celulares e computadores em determinados períodos do dia.

13 de agosto de 2018

O uso da tecnologia e os processos de aprendizagem.


Por, Vanessa Barros - psicopedagoga 

A sociedade atual advém da revolução tecnológica e seu desenvolvimento na produção e na área da informação, gerando predicados passíveis de assegurar à educação uma autonomia ainda inalcançada. Isto se dá à medida que o desenvolvimento das competências cognitivas e culturais determinadas para o pleno desenvolvimento humano passa a se ajustar com o que se espera no âmbito da produção.





Consideramos que as transformações provocadas pelo uso do computador como ferramenta para o ensino é um recurso pedagógico muito importante que coloca desafios na apropriação do conhecimento e redefinições do papel dos professores nesse novo contexto.


É impossível não aceitar a importância das constantes transformações pelas quais o mundo vem passando. Como educadores e indivíduos temos a necessidade de nos adaptarmos a essas inovações, tentando compreendê-las, incorporá-las, socializando experiências e introduzindo essas transformações, no âmbito educacional de modo a contribuir na melhoria da qualidade dos processos de ensino aprendizagem e práticas docentes.

Observamos que um novo modelo pedagógico, portanto apareceria com a ocorrência dessas transformações pelo qual o discente estaria desenvolvendo suas capacidades as quais anteriormente era posta de lado pelo método tradicional de ensino, sem recursos de aprendizagem que realmente contribuísse no desenvolvimento de autonomia das crianças, sendo que o avanço de capacidade de raciocínio e criatividade provavelmente seria mais forte por meio da intensidade das possibilidades oferecidas pelos recursos tecnológicos.


A aprendizagem deve estar aliada a construção de novos conhecimentos e a construção do processo de aprendizagem que ocorre nesta relação, já que o indivíduo ensina e constrói conhecimento.


As tecnologias usadas nas escolas devem ser educacionais comunicativas e informativas e não apenas alfabetizadora na qual o indivíduo aprende a linguagem básica do micro e o processo finda-se por si só. É preciso despertar a preocupação em relação à maneira pela qual vem sendo inserida nas instituições educacionais, as novas tecnologias, e como esta vem sendo trabalhada.

Enfim, o uso de novas tecnologias digitais pode incrementar as relações entre educadores e crianças, política e educação, colaboram para que se adquira conhecimento como imprescindível fator de melhoria social, propiciando expressões multiculturais e integração universal dos sujeitos. A linguagem padrão e protocolos da Internet possibilitam misturar e manifestar cultural e socialmente os fundamentos da tecnologia de ponta. Assim sendo, a inclusão digital passa a ser ferramenta eficaz para aumentar o letramento dos indivíduos, estimular a auto-estima em relação aos aspectos culturais inerentes às técnicas, tempo, espaço, razão e emoção.



 TECNOLOGIA  X  APRENDIZAGEM

O uso precoce e excessivo da tecnologia é um fenômeno recente no cenário da infância, entretanto especialistas em Primeira Infância já começam a identificar impactos e repercussões sobre a dinâmica familiar, desenvolvimento, comportamento e aprendizado infantil.
Para uma criança conhecer o mundo e se desenvolver, sua motricidade precisa estar engajada nesse projeto: de modo concreto, implica deslocamentos, movimentações, coordenações sensoriais, manipulações. É a inteligência sensório-motora. Até 2 anos, a pura imagem, além de não lhe ensinar nada, dificulta-lhe a aprendizagem quando economiza ou evita o engajamento do corpo no projeto de conhecer o mundo, começar a movimentar o corpo, engatinhar, andar, tocar objetos e alcançar com suas pernas e braços o mundo ao redor.
Para um corpo sentir e o psiquismo poder representar o mundo que entra pelas sensações, é preciso que todas as sensações (visão, audição, olfato, paladar, vestibular, propriocepção, tato) sejam percebidas, organizadas e interpretadas. Se a visão e a audição, se sobrepõem às demais, haverá um processamento deficitário e que poderá desenvolver sérios problemas para integrar todas essas sensações, e portanto, dificuldades em se desenvolver de modo integral, a seguir.
Os hábitos familiares ligados aos aspectos cotidianos como dormir, comer, passear, estão sofrendo modificações a partir do uso das mídias digitais. A cena de encontrar em restaurantes as crianças com um tablet ou celular, ambos usados como entretenimento na hora da refeição, ou mesmo sendo usados quando os pais se deslocam no trânsito para que a criança não tenha qualquer incômodo, são alguns exemplos do que estamos vendo atualmente.
Em relação à alimentação, sem sentir fome ou saciedade, os alimentos penetram na boca da criança sem que o gosto, o sabor, o cheiro, o olhar, as pausas, as conversas ocorram e sem desejos ou vontades, como se tudo fosse no “automático” ou com distorções de imagens dos alimentos vistos nas telas.
A criança vidrada na tela durante esses acontecimentos cotidianos, faz com que não haja espaço entre a demanda e a satisfação, portanto, também para desenvolver a criatividade nesse espaço, o que fazer nesse momento de espera?, consequentemente, nessa impossibilidade de administrar o tempo e as realidades à volta, ocorrem desequilíbrios entre as frustrações e a tolerância necessária que as relações exigem, tanto com o “outro” e consigo mesma. A dica é: MODERAÇÃO.

10 de agosto de 2018

Mindful eating. O que é comer Comer Consciente?


Por Maria Irlan - Nutricionista 

Mindfulness ou Atenção Plena é uma técnica que consiste em focar toda a atenção ao momento presente e pode ser utilizada por qualquer pessoa, independentemente de sua religião, cultura ou crença.

Mindful Eating (comer consciente) é a prática do Mindfulness no ato de comer, um caminho para se sentir bem enquanto constrói um relacionamento mais saudável com a comida. O objetivo é dá instrumentos para entrar em uma jornada de autoconhecimento e revisar hábitos alimentares.





Mindful Eating tem sido utilizada em problemas de comportamento alimentar como a obesidade, anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Foi recomendada pelo Dietary Guidelines Advisory Committee ao governo americano como uma das melhores formas de controle de peso.
  
Abaixo citamos algumas características de comportamento diante de uma alimentação realizada de maneira consciente ou quando entramos no modo automático. 

COMER DE FORMA CONSCIENTE 


  • Estar sintonizado com a experiência de comer, atento aos 5 sentidos.
  • Estar atento às pistas de fome e saciedade.
  • Sentir e saborear a comida, prová-la verdadeiramente.
  • Prestar atenção ao processo de comer.
  • Observar os seus gatilhos emocionais: as emoções que o fazem comer mais ou menos.
  • Satisfazer a fome de forma adequada.
  • Adaptar uma atitude Mindful enquanto come,aceitando a experiência sem julgar a si mesmo.
  • Tomar consciência de suas escolhas alimentares. 
  • Observar os pensamentos que estão relacionados com a comida que foi ingerida ou vai ingeri. 
  • Deixar fluir pensamentos críticos e conectar-se cada vez mais no momento presente. 
  • Observar as emoções sentidas antes e depois de comer. 
  • Demonstrar compaixão e aceitação por si próprio e pelos outros. 


COMER DE FORMA AUTOMÁTICA 

  • Comer de forma inconsciente.
  • Alimenta-se de forma rotineira e sempre da mesma maneira. 
  • Realizar outras tarefas no mesmo momento em que está comendo.
  • Pular refeições.
  • Ignorar as pistas fisiológicas da fome.
  • Continuar a comer apesar de se sentir saciado. 
  • Comer para obter conforto ou acalmar algum desconforto emocional. 
  • Comer como se estivesse distraído da realidade ou perdido em seus pensamentos. 
  • Acreditar que tem pouco ou nenhum controle sobre sua alimentação. 
  • Permitir que a "rotina" ou a "não rotina" ditem seus hábitos alimentares. 
*Traduzido e adaptado de Eating mindfully, por Susan Albers.


Experimente comer de forma consciente, essa técnica vai além de controlar problemas relacionados com o comportamento alimentar e o peso. Os seus benefícios melhoram a qualidade de vida de todas as pessoas.


Abraço, Maria Irlan.